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Deutsche Bank anuncia 18 mil despedimentos

O maior banco alemão, e um dos maiores europeus, está em maus lençóis e anunciou uma reestruturação radical este domingo. Entre as medidas anunciadas pelo Deutsche Bank está o despedimento de 18 mil dos seus funcionários.
Balcão do Deutsche Bank em Oviedo.
Balcão do Deutsche Bank em Oviedo.Foto de Dantadd. wikicommons

Os sinais de problemas naquele que é um dos maiores bancos do mundo não são de hoje. E, este domingo, o Deutsche Bank anunciou uma reestruturação que vai cortar um quinto da sua força de trabalho. Vão ser menos 18 mil empregos até 2022. No final deste processo, que custará 7,4 mil milhões de euros, o banco alemão conta ficar com apenas cerca de 74 mil trabalhadores.

Alguns dos trabalhadores dos escritórios de Londres e de Sydney da empresa já estão a ser despedidos, relatam várias agências noticiosas internacionais.

Do pacote de reestruturação da empresa consta ainda o corte no negócio do seu banco de investimento que emprega 38 mil pessoas e gera cerca de metade da sua entrada de capitais, apesar da sua volatibilidade. Está previsto o abandono de vendas de ações (por venda ao BNP Paribas) e de negócios de trading. O Deutsche Bank vai também criar um “banco mau” no qual concentrará os seus ativos tóxicos, nomeadamente 74 mil milhões de capitais de risco.

Com todo o programa de reestruturação estima-se uma redução de seis mil milhões em custos e de 40% das operações comerciais.

O Deutsche Bank foi fundado em 1870 e tem sido instrumental na expansão de muitas empresas alemãs. O próprio banco parecia avançar nas décadas precedentes, tendo comprado o Morgan Grenfell em 1989 e, na década seguinte, o norte-americano Bankers Trust. Em maio passado falhou uma fusão com o Commerzbank.

Antes, era um dos bancos que tinha reputação de ser mais seguros na Europa. Desde há algum tempo, os ventos mudaram: multas e penalizações dos organismos reguladores, baixos lucros, altos custos e preço decrescente das ações têm colocado em causa a atividade de um daqueles negócios que vinha a ser classificado como “to big to fail”, ou seja cuja queda causaria problemas sistémicos.

A empresa já tinha anunciado que não pagaria dividendos aos seus accionistas nem 2019 nem 2020. E, antes, realizou três grandes aumentos de capital: em 2010, de 10,2 mil milhões de euros; em 2014, de 8,5 mil milhões; em 2017, de 8 mil milhões. O seu valor em bolsa desceu 25% num ano. Esta segunda-feira, depois de uma subida de 3,7% nas bolsas, nomeadamente na de Frankufurt, as ações do banco alemão acabaram por cair ao final da manhã.

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