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Deutsche Bank acumula mais uma multa de 630 milhões de dólares

Com esta multa, o Deutsche Bank acumula 10,8 mil milhões de dólares de infrações em apenas dois anos, e o risco de outros processos ainda em investigação continua.
Deutsche Bank

A crise financeira de 2008 despoletou a exigência pública de regulamentação da banca que, em teoria, resultou em mecanismos de auto-regulação e maior controlo por parte dos bancos centrais. Na prática, o discurso oficial esconde uma realidade um pouco mais dúbia. 

O Deutsche Bank acaba de ser multado pelo Financial Conduct Authority (regulador britânico) com 630 milhões de dólares por “deficiências inaceitáveis” nos seus mecanismos de controlo interno. Na origem da multa estão transferências de 10 mil milhões de dólares realizadas pela sucursal russa do banco para contas offshore entre 2012 e 2015, “numa forma altamente sugestiva de crime financeiro”, diz o regulador. 

Segundo declarações do regulador, o “Crime financeiro é um risco para o sistema financeiro britânico. O Deutsche Bank estava obrigado a estabelecer e manter um controlo efetivo.” E caso se pense a multa demasiado alta, o regulador acrescenta que “o valor da multa reflete a profundidade das falhas do Deutsche Bank (…) são simplesmente inaceitáveis.”

Em concreto, o banco falhou em obter informação sobre os seus clientes envolvidos em transferências “espelho” (mirror trading) de 6 mil milhões de dólares - transferências sem qualquer propósito económico e destinadas a cobrir o rasto do dinheiro - o que permitiu à sucursal russa (DB Moscow) realizar mais de 2,4 mil operações entre abril de 2012 e outubro de 2014. O propósito destas operações era transformar rublos em dólares dos EUA, e transferir os dólares para fora da Rússia. Além dos 6 mil milhões de dólares, o regulador encontrou mais 3 mil milhões em transferências simples realizadas pelos mesmo operadores e com o mesmo destino. 

A acumulação de multas

Esta é a sexta multa que o Detusche Bank recebe desde 2015. Em abril de 2015, foi multado com 2,6 mil milhões de dólares por manipulação da taxa de referência Libor; em novembro de 2015, 312 milhões por quebrar as sanções dos EUA com o Irão e a Síria; em dezembro de 2017, 7,2 mil milhões pela venda de títulos tóxicos durante a crise de 2008; em janeiro deste ano, 117 milhões de dólares por fraude a impostos nos EUA referente a 2000; e agora, mais 630 milhões no Reino Unido, resultando num total de 10859 milhões de dólares em multas. E os processos de investigação tanto na Europa como nos EUA continuam a desenvolver trabalho. 

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