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Despejos no 6 de Maio: “O que se está a passar aqui é desumano”

Pedro Soares testemunhou as demolições no bairro e acusou a Câmara da Amadora de não ter nenhuma justificação para prosseguir estes despejos no inverno, sem estarem encontradas alternativas para os moradores.
O deputado bloquista Pedro Soares esteve esta terça-feira no Bairro 6 de Maio.

A Câmara da Amadora procedeu esta terça-feira a mais demolições de casas sem aviso aos moradores. “O que se está a passar aqui é repetitivo e é desumano”, afirmou o deputado bloquista Pedro Soares, que também preside à comissão parlamentar que criou o grupo de trabalho sobre habitação, onde tanto a Câmara como os moradores foram ouvidos sobre estas demolições feitas ao abrigo do Programa Especial de Realojamento.

“Há uma resolução do Conselho da Europa que recomenda aos Estados Membros que não procedam a despejos durante o período de inverno. E é precisamente durante o período de inverno que a Câmara Municipal está a insistir nestes processos de despejo e demolição. Não percebemos qual é a justificação”, prosseguiu Pedro Soares em declarações à TVI.

Pedro Soares lembrou que a presidente da Câmara esteve na Assembleia da República recentemente a discutir o assunto com todos os grupos parlamentares “e uma das coisas que foi solicitada era que se suspendesse este processo de despejos até que se encontrassem alternativas” com base num esforço conjunto entre o governo, a autarquia e a própria Assembleia da República.

Morador tentou resistir ao despejo e foi agredido pela polícia

Um dos moradores surpreendido pelo despejo resistiu à ordem de saída e foi agredido pela polícia. Segundo relatou a sua mulher à TVI, “arrastaram-no para a rua e começaram a agressão: choque elétrico, pontapés e murros”.

A PSP da Amadora confirma este ferido e diz que três agentes policiais envolvidos neste despejo  também ficaram feridos. “Só se foi quando lhes fechou a porta”, diz a mulher agora desalojada”, relatando como lhe bateram à porta com um saco preto a dizer que tinham de sair da casa. “O meu marido disse que não era bicho nenhum”, prosseguiu.

O processo desta família já passou por uma reunião da Câmara Municipal. “Disseram que depois iam chamar para ir à junta e nunca mais disseram nada”, explicou a moradora, confirmando não ter recebido nenhum aviso de que  hoje iria ficar sem casa para viver.

 

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