O Bloco de Esquerda apresentou duas perguntas ao Ministério das Finanças sobre a situação de despejo de cerca de 150 famílias de prédios em Loures que pertencem à Fidelidade. As perguntas pretendem saber se o Governo está a par do plano de reconfiguração do portfólio imobiliário da Fidelidade” e das “consequências sociais e económicas que resultarão da venda dos edifícios residenciais”
As notificações de não renovação dos contratos de arrendamento começaram a surgir há duas semanas às famílias que residem em prédios da seguradora Fidelidade em Santo António dos Cavaleiros. Os moradores estão a ser obrigados a entregar as chaves das suas casas em 2020, sendo então obrigados a deparar-se com os elevados preços das casas no mercado de arrendamento.
Os mais de 400 moradores começaram a mobilizar-se para tentar travar este despejo coletivo. Em declarações ao jornal i, Ana Oliveira, residente há mais de 15 anos numa das torres, afirma que “Soubemos disto há 15 dias, nem tanto”, adjetivando isto como “um rombo” para o concelho de Loures. “O concelho de Loures não tem capacidade para nos alojar a todos. Não há casas para todos”, explicou a moradora ao jornal.
Após a venda da seguradora ao grupo chinês Fosun em 2014, soube-se o ano passado que a Fidelidade pretende “reforçar a solidez” da empresa através a venda de 277 imóveis em Portugal.
As deputadas Mariana Mortágua e Isabel Pires afirmaram que se estima que “a seguradora – e por consequência o conglomerado chinês – ganhe 400 milhões de euros com a recomposição da carteira imobiliária, enquanto despeja milhares de pessoas. Tais despejos constituem um ataque social e económico às famílias”.
O documento que o Bloco enviou ao Governo esclarece ainda que, “a acrescer ao dano que a privatização da Fidelidade fez e continua a fazer aos resultados da Caixa Geral de Depósitos, a seguradora é ainda responsável pelo despejo futuro de pelo menos 158 famílias”. Por esse motivo, o Bloco de Esquerda quer que o Governo indique o que fará para proteger o interesse das famílias em risco de despejo.