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Desemprego de 'muito longa duração' subiu no último trimestre, segundo o INE

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego subiu para os 12,2% entre o terceiro e o quarto trimestre de 2015, sendo que no último trimestre do ano passado, um terço do total de desempregados procurava trabalho há 37 meses ou mais.
Foto de Paulete Matos

Estes desempregados, designados como de 'muito longa duração' têm, na sua maioria, 35 anos ou mais (75%) e o seu percurso escolar não foi além do 9º ano (58,8%), o que torna mais difícil integrá-los novamente no mercado de trabalho. Os dados do INE permitem ainda concluir que embora a maior parte sejam homens (50,7%), as mulheres também têm uma presença significativa neste grupo.

O peso cada vez maior do desemprego de 'muito longa duração' é uma das conclusões que se retira da análise das estatísticas trimestrais do desemprego, divulgadas pelo INE, que dão ainda conta de um ligeiro aumento da taxa de desemprego para os 12,2%, depois de ter estabilizado nos 11,9%, entre o segundo e o terceiro trimestres.

Homens foram mais atingidos pelo desemprego

O ano terminou com quase 634 mil desempregados, mais 15 mil do que no trimestre anterior. O agravamento trimestral do desemprego notou-se em particular nos homens (mais 15.800 desempregados), que concluíram o ensino secundário ou pós-secundário (mais 17.900) e que estavam à procura de primeiro emprego (mais 9000). Entre os trabalhadores que procuravam novo emprego, registou-se um agravamento do desemprego entre os que antes tinham trabalhado na agricultura, produção animal e pesca (mais 5900) e no sector dos serviços (mais 5800).

O decréscimo trimestral da população empregada ocorreu sobretudo entre as mulheres (menos 17.200), nas pessoas dos 15 aos 34 anos (menos 26.300) e que tinham, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico (menos 43.000). A agricultura, produção animal e pesca foi o sector que mais emprego perdeu (menos 19.000), seguindo-se a indústria e a construção (menos 5200). O emprego por conta de outrem também registou um recuo de 8200 pessoas.

Os dados do INE mostram ainda uma redução da população empregada a tempo completo (-0,8%), enquanto o emprego a tempo parcial aumentou 3,7% no trimestre

Os dados do INE mostram ainda uma redução da população empregada a tempo completo (-0,8%), enquanto o emprego a tempo parcial aumentou 3,7% no trimestre, o subemprego a tempo parcial (pessoas que trabalhavam a tempo parcial, mas que pretendiam fazer um horário tempo completo) também aumentou em 10,4%.

A taxa de desemprego jovem fixou-se nos 32,8%, um agravamento de dois pontos percentuais face ao trimestre anterior, mas uma melhoria se se tiver em conta os 34% registados em 2014.

O Algarve foi a região que mais sofreu com o agravamento do desemprego em cadeia. Do terceiro para o quarto trimestre, com o final da época alta de Verão, a taxa de desemprego passou de 10,2% para 12,9% (mais 2,7 pontos percentuais), o aumento mais elevado entre as sete regiões do país e acima da média nacional (que foi de 0,3 pontos percentuais).

Os dados do INE indicam ainda que a taxa de desemprego foi superior à média nacional na Madeira (14,7%), no Norte (13,5%), no Alentejo (13,3%), no Algarve (12,9%), nos Açores (12,6%) e em Lisboa (12,5%). Abaixo da média encontrava-se apenas o Centro (9%).

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