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Descoberta emissão mais antiga de oxigénio do Universo

A mais antiga emissão de oxigénio no Universo foi detetada na sequência da observação de uma galáxia distante com elevadas concentrações de poeira cósmica.
Foto de Emilio Kuffer/Flickr
Foto de Emilio Kuffer/Flickr

A descoberta foi anunciada pelo Observatório Europeu do Sul (OES) - de que Portugal faz parte - e envolveu uma equipa internacional de astrónomos sob a liderança de Nicolas Laporte, da University College London, que usou o maior radiotelescópio do mundo, o ALMA, tendo observado a emissão de oxigénio ionizado pela galáxia com o nome"A2744-YD4".

A poeira cósmica - pequenas partículas de matéria formadas a partir da morte de gerações de estrelas mais antigas - é a base para a constituição de novas estrelas, dos planetas e das moléculas complexas, incluindo aquelas que dão origem à vida.

De acordo com um comunicado do OES citado pela Lusa, trata-se da deteção mais distante, e por isso a mais antiga, de oxigénio no Universo.

Atualmente abundante, a poeira interestelar era, no entanto, escassa no início do Universo, ou seja, antes de as primeiras gerações de estrelas morrerem.

Primeiras explosões estelares

A "A2744-YD4" é a galáxia mais distante e jovem captada pelo ALMA, quando o Universo tinha 600 milhões de anos e as primeiras estrelas e galáxias estavam a formar-se. Para os astrónomos responsáveis pela descoberta, a deteção de muita poeira interestelar na "A2744-YD4" indicia que supernovas - explosões de estrelas moribundas - mais antigas "devem ter contaminado esta galáxia".

A observação de poeira cósmica no Universo primitivo fornece nova informação sobre o momento em que ocorreram as primeiras explosões estelares e as estrelas quentes, as brilhantes, tiraram o Universo das trevas, revelaram os cientistas.

As observações da "A2744-YD4" com o ALMA foram possíveis porque a galáxia está por detrás do aglomerado de galáxias "Abell 2744", que atuou como um “telescópio cósmico gigante”, ampliando a"A2744-YD4", um fenómeno que tem o nome de lente gravitacional e que é formada devido a uma distorção no espaço-tempo, causada por um corpo de grande massa entre uma estrela e um observador.

Os astrónomos presumem que a galáxia "A2744-YD4" tenha uma quantidade de poeira cósmica equivalente a seis mil milhões de massas solares e uma massa estelar de dois mil milhões de massas solares, tendo ainda descoberto estão a formar-se estrelas na galáxia a uma média de 20 massas solares por ano - na Via Láctea, a média é de uma massa solar por ano - , o que pode explicar por que a poeira cósmica se formou de uma forma tão rápida na "A2744-YD4".

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