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Desastre humanitário agrava-se no Afeganistão

Com a implosão das forças governamentais, a ofensiva talibã conquistou o sul e nordeste do Afeganistão, isolando Cabul. As Nações Unidas registam 386 mil pessoas deslocadas devido aos conflitos apenas desde o início de agosto.
Desde abril, 1 milhão de pessoas está deslocada. Imagem de crianças no campo de deslocados em Cabul, a 10 de agosto. Foto de Jawed Kargar, via EPA/Lusa.
Desde abril, 1 milhão de pessoas está deslocada. Imagem de crianças no campo de deslocados em Cabul, a 10 de agosto. Foto de Jawed Kargar, via EPA/Lusa.

A ofensiva, lançada em maio pelas forças talibã, aumentou progressivamente a pressão em 15 cidades principais e isolou as forças governamentais na capital num cerco que se aperta todos os dias. Neste momento, as cidades rendem-se à velocidade que os talibãs conseguirem avançar.

Esta sexta-feira, Kandahar, Lashkar Gah e Herat, duas das capitais de província mais importantes do país, caíram para as forças talibãs. Na duas últimas semanas, conquistaram onze capitais regionais, incluindo as capitais das regiões de Ghazni e Herat, bem como Zaranj, capital da província de Nimruz, o que lhes garante acesso diretor à fronteira com o Irão.  

Após Zaranj cair, seguiram-se as capitais de Jowzjan, Kunduz, Takhar, Sar-e Pol, Samangan, Farah, Pul-e-Khumri e Faizabad. É a sétima vez que os talibãs conquistam Kunduz, uma região estratégica porque garante o acesso ao Tajiquistão.

Os cercos das diferentes cidades prolongaram-se durante semanas, em batalhas devastadoras sobretudo em Kandahar, Lashkar Gah e Herat. O controlo de Kandahar, efetivamente a capital do sul do Afeganistão, significa que os talibãs têm poder sobre metade do país.

A ofensiva está a provocar a deserção em massa de forças governamentais, bem como a captura de centenas de milhões de dólares em equipamento, veículos e armas dos Estados Unidos da América, o resultado de um programa de mais de 83 mil milhões de dólares nas duas últimas décadas.

O governo de Cabul tem respondido essencialmente com o aumento de ataques aéreos, uma tática que causa elevadas mortes civis e previsível queda de apoio popular pelas forças governamentais.

A Organização Mundial da Saúde alerta para a dificuldade de acesso a medicamentos e material hospitalar em várias zonas do Afeganistão. Parte das equipas médicas fugiram perante os ataques em várias cidades com a situação humanitária a agravar-se todos os dias.

A organização calcula que pelo menos 18,4 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária, incluindo 3,1 milhões de crianças em risco de mal nutrição aguda.

Segundo a OCHA, órgão das Nações Unidas que coordena a resposta humanitária, com os poucos dados disponíveis é possível concluir que, entre abril e julho deste ano, 700 mil pessoas foram deslocadas devido aos conflitos. Nos primeiros oito dias de agosto, mais 386 mil pessoas foram deslocadas, 59% das quais crianças e jovens. Praticamente todas as províncias registam algum tipo de deslocação forçada de populações.

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