Denis Mukwege e Nadia Murad distinguidos com o Nobel da Paz

05 de October 2018 - 10:29

O médico congolês que luta para acabar com a violência sexual na guerra e a mulher yazidi que expôs os abusos de que foi vítima às mãos do Estado Islâmico foram os escolhidos pelo comité Nobel.

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Denis Mukwege e Nadia Murat. Imagem Nobel.

O anúncio foi feito esta sexta-feira de manhã e volta a chamar a atenção para a violência sexual nos cenários de guerra em todo o mundo. O Comité Nobel decidiu atribuir o prémio a duas figuras que se têm destacado na luta e na denúncia da prática de abusos sexuais sobre a população civil durante os conflitos armados.

Denis Mukvege é um médico congolês que se tem dedicado ao apoio às vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo, tratando milhares de vítimas ao longo dos anos. Para o Comité, Mukvege é o “símbolo mais agregador tanto ao nível nacional como internacional da luta para acabar com a violência sexual na guerra e nos conflitos armados”.

Nadia Murad, oriunda da comunidade yazidi no norte do Iraque, foi raptada em 2014 pelo Estado Islâmico e sujeita a repetidas violações e escravatura sexual. O Comité sublinha a sua “coragem fora do comum ao contar o seu próprio sofrimento”. Nadia Murad já tinha sido galardoada com os Prémios Sakharov e Václav Havel em 2016. Aos 25 anos, torna-se a segunda pessoa mais jovem a ganhar este prémio, a seguir a Malala Yousafzai, que tinha 17 quando lhe foi atribuído o Nobel em 2014.

Reagindo ao anúncio do prémio, a eurodeputada bloquista Marisa Matias parabenizou os dois galardoados e afirmou esperar que o prémio "possa dar mais atenção ao povo Yazidi e contribuir para acabar com o seu sofrimento".


Notícia atualizada às 11h15 com a reação de Marisa Matias.