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Delivery Hero: a nova gigante das plataformas digitais

A multinacional alemã, dona de 37% da espanhola Glovo, acaba de adquirir 5% da Deliveroo. Baseada no conceito de "comércio eletrónico rápido", a Delivery Hero tem sido criticada pelas más condições laborais a que sujeita os seus trabalhadores.
Imagem publicada em www.deliveryhero.com

Conforme escreve o eldiario.es, após resultados desastrosos, a Delivery Hero catapultou os seus resultados mediante o impulso que a crise sanitária tem dado ao negócio das plataformas digitais.

Em 2018, a multinacional alemã vendeu à holandesa Takeaway, por cerca de 1.000 milhões de euros, a Lieferheld, a Pizza.de e a Foodora na Alemanha. Nesse ano, registou perdas de 242 milhões, que escalaram para 648 milhões em 2019. Em 2020, só na primeira metade, estimou-se uma quebra de 352 milhões. Já em 2021, a Delivery Hero elevou a sua previsão de faturação até um máximo de 6.700 milhões.

A empresa, fundada em 2011 e liderada pelo sueco Niklas Östberg, apresenta agora números que são vistos como indicadores de solidez. Exemplo disso é o preço das ações da Delivery Hero. Em 2017, quando entrou na bolsa, os seus títulos estavam em 26,90 euros e o seu valor na bolsa rondava os 5.000 milhões. Agora as ações atingem 114,80 euros e a sua capitalização supera os 28.500 milhões.

A Delivery Hero entrou na bolsa após o escândalo da fraude contábil da Wirecard, apesar das perdas registadas em anos anteriores. De acordo com as regras que regem o DAX - Índice de Ações Alemãs, as empresas que queiram entrar na maior bolsa de ações da Alemanha têm de apresentar um Ebitda (benefício bruto operativo) positivo nos últimos dois exercícios, o que não acontecia com a Delivery Hero. Ainda assim, a multinacional contava com uma projeção considerável, com presença em 50 países.

A Delivery Hero tem sido criticada pela deficiente qualidade do serviço prestado e pelas más condições laborais a que sujeita os seus trabalhadores. Em 2020, a multinacional abandonou o Canadá, após os trabalhadores terem decidido formar um sindicato. Em muitos países, como a Colômbia, a empresa alemã foi alvo de protestos pelas más condições de trabalho e as remunerações de miséria.

Em outubro passado, a Delivery Hero adquiriu 7,5% da Glovo à AmRest (dono de marcas de restauração como A Tagliatella) por 76,15 milhões de euros. E, em abril deste ano, aumentou para 37% a sua participação na Glovo, que atualmente é notícia em Espanha por contornar a “Lei Rider” e introduzir um novo sistema de retribuições que obriga os trabalhadores a competirem e a cobrarem menos.

Recentemente, a Delivery Hero adquiriu 5,1% da sua rival Deliveroo e tudo indica que a sua política expansionista não se deterá nesta operação.

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