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“Deitar a toalha do país ao chão é deixar o SNS degradar-se"

No debate das rádios, Catarina Martins confrontou António Costa com várias das suas contradições. Saúde, apoios durante a pandemia, e a necessidade de investimento na educação e cultura estiveram em cima da mesa.
Debate nas rádios esta quinta-feira. Foto de António Cotrim/Lusa.
Debate nas rádios esta quinta-feira. Foto de António Cotrim/Lusa.

Catarina Martins começou o debate das rádios desta quinta-feira, ao qual decidiram faltar Rui Rio e André Ventura, a questionar algumas das contradições do atual primeiro-ministro. Uma delas foram as suas declarações sobre a sua suposta vontade de continuar, em 2019, o caminho de convergência à esquerda. A coordenadora do Bloco lembrou que, nessa altura, foi o Bloco que propôs continuar esse trabalho e “ir àquelas áreas onde ainda não tinham havido avanços” como por exemplo a saúde e o trabalho e o PS recusou.

Outra contradição identificada pela dirigente bloquista são as declarações em que António Costa identificou como o “grande problema” que levou às eleições teria sido que PCP e Bloco não tinham deixado o debate continuar na especialidade quando antes afirmara que não estaria disposto a mudar o orçamento nessas condições.

Catarina Martins questiona para que o PS quer maioria absoluta e pondera se será para manter as normas laborais do tempo da Troika, aquelas que, em 2015, António Costa dizia que eram perigosas, “para impedir a valorização das carreiras dos profissionais do SNS” ou manter o “duplo corte” nas pensões. Diz que o “PS não justificou porque recusou todas estas medidas” e, assim, “continuamos sem perceber porque é tão importante que horas extras sejam pagas pela metade” ou “porque recusa dedicação exclusiva”.

Numa segunda ronda de intervenções, a porta-voz bloquista foi inquirida sobre a necessidade de um acordo escrito à esquerda para a próxima legislatura e considerou que essa é “a forma normal de existir maioria” e que o partido faz “balanço positivo” do período entre 2015 e 2019 em que houve “um compromisso claro para o país” que, aliás, criou condições para avançar noutras medidas que não constavam do acordo inicial. Depois disso, a partir da nova legislatura, passou a haver muitas medidas anunciadas mas “que nunca foram cumpridas”, como foi o caso dos apoios aos cuidadores informais.

A coordenadora bloquista continuou a colocar a tónica na clareza sobre o que se quer e voltou a apontar contradições naquilo que o PS diz agora em campanha querer fazer, nomeadamente sobre trabalho, e o que fez anteriormente quando “se aliou” à direita para chumbar essas mesmas medidas. Recordou ainda que foi na direita que o PS “encontrou conforto” para as suas decisões sobre a Lone Star e o Novo Banco que tem uma “gestão contra o interesse público” que “enfraquece” Portugal.

Sobre as maiorias absolutas, afirmou que “as pessoas têm má memória” delas e que se lembram da EDP e da saúde privada e da forma como houve quem transitasse entre o Governo e esses grandes interesses.

Para ela, “não podemos fazer de conta que está tudo bem” quando os hospitais que todos os dias perdem equipas e quando 2.000 enfermeiros querem deixar país. Por isso, “deitar a toalha do país ao chão é deixar o SNS degradar-se o que se torna um perigo imediato”. Insistiu ainda em explicar a proposta bloquista sobre dedicação exclusiva obrigatória nos cargos de chefia médica no SNS, porque “precisamos que quem chefia os serviços esteja dedicado ao SNS”, e facultativa nos restantes casos. Ao passo que aquilo que o PS propôs no passado orçamento é que “quem já está a trabalhar tantas horas, passe a receber um pouco mais para fazerem mais horas. É preciso que os profissionais sejam mais valorizados”.

Uma terceira ronda de questões visou o tema da revisão constitucional para fazer uma lei de emergência sanitária, tendo o Bloco se posicionado contra a necessidade de um processo deste tipo, mas revelado abertura para discutir “pormenores que criaram dificuldades”. Para o partido, é necessário “garantir o equilíbrio de poderes e liberdades”, sendo que o “contrato democrático é importante e mais limitações não são resposta”.

Durante esta intervenção respondeu ainda ao primeiro-ministro que invoca o voto do Bloco contra o orçamento como “um entrave” no combate à pandemia. Isto é “estranho”, considerou, porque o PS estava “mais otimista” do que o Bloco e “recusou ajudas a trabalhadores mais precários”, pelo que na restauração e na cultura “tudo o que restou foi a solidariedade”.

O tema seguinte foi a educação. O líder do CDS voltou a centrar o seu discurso na “ideologia de género” pelo que Catarina Martins começou por lhe responder que é “absolutamente lamentável” que se recupere uma expressão de Bolsonaro.

Mas o centro da sua intervenção sobre este assunto foi a resposta à falta de professores. O problema começou “ao longo dos anos” na desvalorização das carreiras dos professores “que não progridem” e salários “que nos devem envergonhar. Mas este é um problema que continua também na situação laboral de todos os outros profissionais da escola, criando uma “situação impossível nas escolas”. Reverter isto tem um custo, “mas o custo maior é ter os alunos sem professores”.

O investimento na educação é assim uma escolha num país que “gasta menos de 10% do PIB” no conhecimento, menos de 1% para a Cultura e níveis abaixo da OCDE na educação e ciência. Um caminho diferente de PS e direita, que se juntaram “para não contar tempo de serviço” dos professores numa altura em que é necessário valorizar a carreira para que mais jovens queiram ser professores.

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