You are here

Défice de profissionais no INEM causa atrasos no atendimento

Em junho, os tempos médios de atendimento das chamadas atingiram os seis a oito minutos. Perderam-se 10 mil chamadas, das quais metade não foi recuperada. Em maio de 2018 foi aprovada no Parlamento uma proposta do Bloco que previa o reforço da resposta do INEM através da contratação dos profissionais em falta.
Foto de Paulete Matos.

O Jornal de Notícias, que teve acesso a dados internos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), refere igualmente que se verificaram vários problemas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). A carência de profissionais está na origem do problema, sendo que diariamente há menos técnicos de emergência pré-hospitalar a trabalhar do que aqueles que estão escalados.

Foram ainda registados “picos de serviço” que, de acordo com o INEM, são “situações absolutamente pontuais que representam exceções àquela que é a atuação dos CODU”. No mês passado perderam-se quase dez mil chamadas, das quais só metade foi recuperada.

No que respeita aos tempos médios de atendimento das chamadas do INEM, os mesmos atingiram os seis a oito minutos, falhando o intervalo recomendado de sete segundos para atender.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, a situação poderá agravar-se em julho e agosto, face à carência de meios. Rui Lázaro explicou que o Centro de Orientação de Doentes Urgentes Norte possui apenas, em média, 15 operadores, quando o mínimo previsto se situa nos 19. A par da escassez de profissionais, o dirigente sindical sinalizou ainda a escassez de ambulâncias.

Há muito que a falta de profissionais está diagnosticada: é preciso o reforço de cerca de 450 profissionais no INEM e o lançamento de um concurso anual para repor aqueles que saem todos os anos. Sem esse investimento, a existência de tempos de espera intoleráveis manter-se-á.

Esta semana, o INEM adiantou, em comunicado, que o Governo autorizou a contratação imediata de 20 novos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) através de "recurso à bolsa de recrutamento remanescente do concurso anterior, situação que será concretizada já no próximo mês de julho". Será também aberto um novo concurso para preencher mais 130 TEPH .

Este é, contudo, um número muito insuficiente. Acresce que estes concursos demoram muito tempo e que ainda existe um período de formação. Ou seja, em menos de nove meses não haverá grande reforço.

Em 2018, Bloco pedia contratação de 350 profissionais

Em maio de 2018, foi aprovada no Parlamento uma proposta do Bloco que previa o reforço da resposta do INEM através da contratação dos profissionais em falta. Recomendava-se, entre outras coisas, a contratação de 350 TEPH em 2018. O Governo não o fez.

O projeto previa ainda a conclusão do procedimento concursal para a contratação de 100 técnicos de emergência pré-hospitalar, procedendo, de imediato, à contratação destes profissionais; a conclusão da contratação dos 20 enfermeiros do procedimento concursal de 2015, cuja bolsa de recrutamento termina em maio de 2018; a abertura, no ano passado, de novos procedimentos concursais para a contratação de mais 350 técnicos de emergência pré-hospitalar para o Instituto Nacional de Emergência Médica, um deles com recurso à bolsa de recrutamento para garantir um procedimento mais célere.

A proposta contemplava também a abertura de procedimentos concursais para pelo menos 40 enfermeiros, 9 psicólogos, bem como para médicos e assistentes técnicos para o Instituto Nacional de Emergência Médica e a programação da realização de um concurso regular anual para a contratação de profissionais para o Instituto Nacional de Emergência Médica, como forma de colmatar saídas de profissionais.

Termos relacionados Sociedade
(...)