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“Defesa da escola pública passa pela vinculação dos professores”

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Catarina Martins desafia o governo a acabar com a precariedade dos professores em Portugal e defende a necessidade de uma CGD pública e forte no apoio à economia.
Catarina Martins defendeu a vinculação dos professores contratados
Catarina Martins defendeu a vinculação dos professores contratados

Na sua intervenção Catarina Martins começou por se referir aos resultados do PISA sublinhado que é necessário olhar com todos os dados para não haver deturpações em relação aos seus resultados.

“Todos ficamos contentes quando melhoram os resultados do sistema educativo em Portugal, mas não deixamos de olhar para o que nos preocupa, nomeadamente a alta taxa de retenção e o facto como Nuno Crato impôs o ensino vocacional logo a partir dos 13 anos”.

Para a dirigente bloquista as crianças com mais dificuldades ficaram de fora destes testes o que levou a uma deturpação no que diz respeito à escola pública para combater as desigualdades.

“E essa é uma prioridade da qual não se pode desistir”, sublinhou.

Catarina disse ainda que o que foi testado foram os frutos do programa de Matemática que Nuno Crato deitou ao lixo e também o percurso extraordinário da rede de bibliotecas escolares que esteve em risco com o corte de professores para as manter.

“É bom olhar para o PISA com todos os dados e com todos os números”, reafirmou.

Para a parlamentar do Bloco mais do que qualquer debate sobre qual foi o governo, o ministro, o parlamento que está ligado a um resultado na educação, importa sublinhar que os resultados da escola pública são resultado de quem a faz.

Nesse sentido, Catarina fez questão de referir os professores e as professoras que têm estado sob "ataque há tempo demais".

“Tempo demais porque se achou que se mudava a escola pública contra os professores" disse, tendo lembrado que "foi assim desde Maria de Lurdes Rodrigues a Nuno Crato”.

A coordenadora bloquista considerou que este é o momento de "virar a página".

Integrar os professores no quadro

“Os professores sofreram ataques nas carreiras e nos salários, viram o horário letivo aumentado e viram também o fim da gestão democrática da escola”, afirmou, tendo acrescentado que “hoje temos turmas sobrelotadas e escolas onde não há pessoal docente e não docente necessário”.

Perante este quadro, Catarina questionou o primeiro-ministro sobre a vinculação dos professores contratados e lembrou que há um acordo nesta maioria de combate à precariedade.

“No setor privado ao fim de três anos quem tem um contrato a prazo passa a ter um contrato efetivo”, disse tendo-se interrogado: “ Como podemos ter professores contratados há décadas sem vinculação?”

A deputada do Bloco não deixou de criticar a proposta do governo que pretende vincular apenas professores que já são contratados há 20 anos e com horários completo.

“E os professores que têm contratos há 19, 15, 10 ou cinco anos”, questionou.

Para a dirigente bloquista quem não tem horário completo mas cumpre necessidades permanentes merece direitos.

Na sua intervenção, Catarina Martins recordou que há nestes país mais de 20 mil professores contratados há mais de 10 anos e mais sete mil contratados há mais de 10 anos.

"Desta forma, se vincularmos só os que têm mais de 20 anos e horário completo estamos a falar em menos de 400 docentes", referiu.

“Esta situação, não responde, não é possível, não é aceitável”, rematou.

Em relação à Caixa Geral de Depósitos, Catarina Martins disse que o Bloco agiu sempre em consciência e transparência.

Disse não concordar com a ausência de um limite salarial e sublinhou que vê com preocupação que o governo tenha escolhido Paulo Macedo para liderar a Caixa uma vez que foi ministro do governo que mais privatizou e que pôs os problemas da banca debaixo do tapete.

Catarina Martins realçou ainda que o Bloco acompanha o governo na manutenção da Caixa enquanto banco integralmente público tendo sublinhado que  "estamos aqui para o defender”.

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