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Deco alerta: marcas estão a reduzir quantidades para manter preços

Chamam-lhe reduflação e é uma estratégia para disfarçar aumentos de preços. Não é ilegal, porque a informação correta está presente nos rótulos, mas as pessoas acabam por se sentir enganadas.
Prateleiras de produtos congelados num supermercado. É sobre este tipo de produtos que a Deco tem recebido mais queixas. Foto de Open Grid Scheduler/Grid Engine/Flickr.
Prateleiras de produtos congelados num supermercado. É sobre este tipo de produtos que a Deco tem recebido mais queixas. Foto de Open Grid Scheduler/Grid Engine/Flickr.

“Shrinkflation” é um neologismo que designa uma diminuição de quantidade ou tamanho de um produto mantendo o preço anterior. Em português, a palavra começou a traduzir-se recentemente como “reduflação”. E, no atual contexto de inflação, tem-se traduzido cada vez mais nas nossas vidas.

A Deco revela este sábado que está a receber denúncias sobre este tipo de prática, nomeadamente no caso da alimentação, sobretudo no dos alimentos congelados. À Lusa, Paulo Fonseca, coordenador do departamento jurídico desta associação, esclarece que não se trata de uma ilegalidade, porque a informação presente no rótulo é correta, mas as pessoas sentem-se enganadas porque se trata de uma forma disfarçada de aumentar preços.

O especialista da organização de defesa dos direitos dos consumidores exemplifica: “os consumidores relatam que, por exemplo, por 15 euros compravam sete postas de pescada e agora, pelo mesmo preço, só compram cinco postas. Ou seja, há duas postas que já não constam da embalagem”.

O preocupante é que a compra deste tipo de produtos é uma rotina, o que faz com que os consumidores não se dediquem a ler os pormenores dos seus rótulos que não estão propriamente em lugar de destaque e, assim, “muitas vezes só um consumidor extremamente atento é que consegue” perceber que está a pagar o mesmo mas para ficar com menos.

A Deco sublinha que já tinha alertado o anterior governo para a importância de regulamentar este tipo de situações e de aumentar a informação prestada aos consumidores. Para Paulo Fonseca, “deveria existir aqui uma obrigatoriedade acrescida de reforçar esta informação, de tornar mais transparente para o consumidor, para se tornar percetível”.

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