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Danone: nova distribuição de dividendos recorde, mais 160 postos de trabalho em risco

A poucas semanas de confirmar nova distribuição recorde de dividendos, a empresa  anuncia uma “mudança de modelo operacional” com perda de postos de trabalho em Portugal e Espanha.
Logo da Danone, via danone.com
Logo da Danone, via danone.com

Em novembro de 2020, o então ainda CEO da multinacional, Emmanuel Faber, anunciou um plano para despedir até 2 mil trabalhadores em todas as unidades da empresa com o objetivo de reduzir 3 mil milhões de euros em custos nos próximos 3 anos. Agora, anuncia um plano de redução de 160 postos de trabalho prejudicados em Portugal e Espanha, não sendo claro qual será o impacto em cada um dos países.

Se o início da crise pandémica não interferiu com a distribuição recorde de 1.500 milhões de euros em dividendos em abril de 2020, este anúncio surge a poucas semanas da Assembleia Geral Anual da multinacional, marcada para o próximo dia 29 de abril, onde será anunciada a distribuição de novos dividendos no valor de €1,94 euros por ação, um valor igual à distribuição de dividendos relativo ao ano fiscal de 2018, já de si um ano recorde.

O impacto da pandemia não parece assim ter tido efeitos na produção de valor por parte da Danone, sendo difícil justificar a necessidade de destruição de postos de trabalho.

No comunicado, citado pela agência Lusa, a empresa disse que “a mudança de modelo operacional implica uma transformação organizacional que afetará aproximadamente 160 postos de trabalho em Espanha e Portugal”.

Afirmam ainda que “estas mudanças na organização serão realizadas de forma transparente, com diálogo e em acordo com os representantes dos trabalhadores e terão lugar nos próximos meses”.

A Danone pretende “adaptar as suas filiais de Espanha e de Portugal ao novo modelo operacional que a companhia está a delinear” com o objetivo de “ganhar agilidade para responder às exigências do consumidor e dos clientes, reinvestir as poupanças nas marcas e em inovação, com o objetivo recuperar quota de mercado, volume de vendas e regressar ao crescimento rentável e sustentável”.

“Globalmente, a Danone Company prevê que esta transformação afete cerca de 1.850 funcionários em escritórios centrais e locais”, afirmam no comunicado.

A queda de Emmanuel Faber e o futuro da Danone

A 14 de março, a Reuters confirmava que o CEO da empresa desde 2014 com o emblema eco-capitalista “One Planet. One Health” iria deixar o cargo, sendo substituído por Veronique Penchienati-Bosetta como CEO interina.

Segundo várias fontes que acompanharam o processo, a decisão foi provocada pela pressão de vários acionistas descontentes com a estratégia de Faber de aposta no que considera ser comida saudável e a fraca performance da multinacional face à concorrência da Nestlé ou Unilever.

Segundo a Bluebell Capital Partners, acionistas dos EUA com uma participação de cerca de 6% na Danone que despoletaram a queda de Faber, o gestor “não conseguiu alcançar o balanço certo entre criação de valor para o acionista e sustentabilidade”.   

A posição deste grupo de acionistas não parece estar relacionada com a distribuição de dividendos da empresa, onde Faber garantiu sucessivos recordes desde que é CEO, mas sim com o valor bolsista das ações da multinacional onde a pressão para ganhos de extremo curto prazo parece dominar todo o setor. Nesta perspetiva, com base no ano de 2015, as ações da Unilever estão hoje 60% mais valorizadas, e a Nestlé 50%, enquanto que a Danone recuou para ganhos de apenas 10%.  

Certo é que a queda de Faber provocou uma valorização imediata de 4,2% das ações da Danone. 

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