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Daesh reivindica atentado contra igreja em França

No atentado terrorista foi assassinado o padre Jacques Hamel, que era um defensor do diálogo entre religiões, e outra pessoa está em perigo de vida. Os dois atacantes foram mortos no assalto da polícia.
Memorial improvisado em homenagem ao padre Jacques Hamel, junto à sua modesta residência em Saint-Etienne-du-Rouvray, perto de Rouen em França, 27 de julho de 2016 – Foto de Ian Langsdon/Epa/Lusa
Memorial improvisado em homenagem ao padre Jacques Hamel, junto à sua modesta residência em Saint-Etienne-du-Rouvray, perto de Rouen em França, 27 de julho de 2016 – Foto de Ian Langsdon/Epa/Lusa

Pela primeira vez, o Daesh (autodenominado Estado Islâmico) reivindica um atentado contra uma igreja na Europa. O ataque foi feito por dois jovens de 19 anos, um dos quais argelino, que sequestraram cinco pessoas na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, e degolaram o padre Jacques Hamel, de 84 anos, que tinha sido feito refém juntamente com outras quatro pessoas, uma das quais encontra-se ainda em perigo de vida.

A polícia só deu a conhecer a identidade de um dos autores do atentado, Adel Kermiche de 19 anos, de origem argelina. Em 2015, tentou juntar-se por duas vezes ao Daesh na Síria, em ambas foi deportado. Em França, esteve preso, mas acabou por ser libertado, há quatro meses, passando a estar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, podendo sair de casa entre as 8.30 e as 12.30 horas, nos dias úteis.

Em declarações ao Jornal de Notícias, Moisés Espírito Santo, do Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões (ISER), salientou: "Até aqui, na Europa, os terroristas abstinham-se de atacar os símbolos religiosos. O que aconteceu hoje é muito mau sinal, é um ataque frontal à religião do outro. Não tenhamos dúvidas de que estamos numa guerra cultural, civilizacional". O sociólogo defende a necessidade de fazer justiça e evitar preconceitos contra a comunidade muçulmana, “continuando a integrar e nunca a segregar”.

Padre assassinado era defensor do diálogo entre religiões

Jacques Hamel tinha 84 anos, era pároco desde 1958 e tinha recusado reformar-se quando fez 75 anos, argumentando que não havia padres suficientes. Uma emigrante portuguesa disse ao JN que “o padre era muito respeitado pela comunidade portuguesa de Rouen”.

O Conselho Francês do Culto Muçulmano condenou, em comunicado, o atentado e o assassinato, salientando que o padre “foi assassinado de forma cobarde”.

O padre Jacques Hamel era um promotor do diálogo entre religiões. Segundo o presidente do Conselho Regional do Culto Muçulmano da Normandia, Mohammed Karabila, o padre participava regularmente no comité interconfessional local, desde o atentado ao “Charlie Hebdo”. Era “um homem de paz, de religião, com um verdadeiro carisma”, disse Karabila.

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