Cuba: primeira marcha pelos animais

08 de April 2019 - 12:05

Neste Domingo, Havana assistiu a uma manifestação inédita. Mais de 400 ativistas dos direitos dos animais sairam à rua apelando ao fim da crueldade para com os animais no país.

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Foto de Hatzel Vela/Twitter

Cuba não costuma chegar aos meios de comunicação internacional desta forma. Pelo tema, porque pouco se conhece fora das ilhas sobre o ativismo cubano pelos direitos dos animais. E pelo próprio caráter de uma manifestação convocada pela sociedade civil completamente à margem do regime e das associações oficiosas mas autorizada pelo Estado.

Este caráter inédito é sublinhado pelos organizadores. Em declarações à Associated Press, Alberto Gonzalez diz que “não há precedentes” relativamente a uma tal decisão pelo que “isto marcará um antes e um depois”. Apesar disto, o ativista não ficou totalmente satisfeito. Queixou-se de, depois de ter sido devidamente autorizado o percurso, os agentes de segurança lhe terem pedido para evitar as ruas principais, supostamente para evitar problemas de tráfego.

Esta marcha também deixa um sabor doce-amargo ao cantor Silvio Rodriguez. Por um lado, louva a “inteligência” da decisão de aprovação da marcha afirmando que “nos faz sentir otimistas” na esperança de que “a mesma coisa aconteça com outras causas” mas, por outro, considera que é “uma vergonha que depois de aprovada a imprensa nacional não a tenha coberto.”

A manifestação contou com centenas de participantes, alguns dos quais passeando cães, e terminou junto da sepultura de Jeannette Ryder, uma americana que abraçou a causa animal em Cuba no início do século passado.

Em Cuba não existem leis contra o abuso de animais mas existem vários grupos, muitos informais, de defesa e ajuda aos animais de rua. Corre também um abaixo-assinado que pretende criar uma lei de proteção dos animais.