You are here

CTT distribui aos acionistas mais do dobro dos lucros

A empresa CTT teve, em 2017, 27,3 milhões de euros de lucros e anunciou, nesta quarta-feira, que irá distribuir aos seus acionistas 57 milhões de euros, 209% do montante dos lucros realmente obtidos. Para Mariana Mortágua é o “exemplo de um saque”.
Francisco Lacerda anunciou a entrega aos acionistas de mais do dobro dos lucros, 7 de março de 2018 – Foto de Miguel A. Lopes/Lusa
Francisco Lacerda anunciou a entrega aos acionistas de mais do dobro dos lucros, 7 de março de 2018 – Foto de Miguel A. Lopes/Lusa

A empresa CTT apresentou, nesta quarta-feira 7 de agosto, os resultados de 2017. Segundo esta apresentação de contas, a empresa teve em 2017 lucros de 27,3 milhões de euros, representando uma queda de 56,1% em relação a 2016, quando teve 62,2 milhões de euros de lucros.

Apesar da queda de lucros, a empresa volta a decidir distribuir aos acionistas um montante superior aos lucros que teve. Em 2016, os CTT distribuíram 72 milhões de euros aos acionistas, um montante de 116% em relação aos lucros obtidos. Em 2017, a discrepância é ainda maior: a empresa distribui aos acionistas um montante equivalente a 209% dos lucros obtidos.

"Para o futuro, os CTT já fizeram saber que a empresa vai regressar à sua política de remuneração acionista anterior, baseada numa percentagem do resultado líquido gerado anualmente", declarou nesta quarta-feira o presidente executivo da empresa Francisco Lacerda, na conferência de apresentação de resultados de 2017.

Desde 2013 a empresa tem pago aos acionistas um montante de quase 100% dos lucros e nos dois últimos anos um montante superior.

Assim, segundo o Jornal de Negócios, os CTT pagaram aos acionistas: 40 cêntimos por ação em 2013, 46,5 em 2014, 47 em 2015, 48 em 2016 e, agora irão pagar, 38 relativos a 2017. Ou seja, 60 milhões em 2013, 69,75 em 2014, 70,5 em 2015, 72 em 2016 e 57 em 2017, montantes que representaram percentagens dos lucros de 98%, 90%, 98%, 116% e 209%, respetivamente.

Em post publicado na sua página no facebook, Mariana Mortágua afirma:

“O privatizador, Sérgio Monteiro (secretário de estado do governo PSD/CDS) dizia que "o exemplo dos CTT deve inspirar outros grupos empresariais".

Aqui está: o exemplo de um saque, a pilhagem de uma empresa que já foi pública, que dava lucros, que funcionava e foi privatizada às mãos do neoliberalismo mais dogmático e radical daqueles que hoje clamam defender os serviços públicos.”

 

Termos relacionados Salvar os CTT, Sociedade
(...)