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Crueldade animal rende milhões às redes sociais

Uma das razões da dificuldade do combate à crueldade animal online é que ela é muito rentável para empresas como o Facebook, Tik Tok ou Youtube. É o que mostra um um estudo promovido ao longo de mais de um ano por um grupo de associações.
Capa do relatório divulgado pela Asian for Animals Coalition
Capa do relatório divulgado pela Asian for Animals Coalition

A Asia for Animals Coalition denuncia a forma como os gigantes das redes sociais ganham dinheiro com a exibição e partilha de vídeos com cenas de crueldade contra animais. No documento citado pelo Jornal de Notícias, as organizações que integram esta aliança recolheram milhares de vídeos publicados nas redes sociais, incluindo “imagens chocantes de animais selvagens individuais mantidos como animais de estimação e abusados repetidamente diante as câmaras” ou “gatos bebés e outros animais jovens incendiados enquanto os criadores se riam" e também "enterros com animais vivos, afogamentos parciais, espancamentos e tortura psicológica”.

Os mais de cinco mil vídeos analisados entre julho de 2020 e agosto deste ano contavam já com cerca de 5.3 mil milhões de visualizações. Entre os países onde mais se produzem estes vídeos estão a Indonésia, EUA, Austrália, Camboja, África do Sul e Coreia do Sul.

“É imperdoável que as empresas de redes sociais façam vista grossa às cenas doentias de abuso animal publicadas nas suas plataformas. É responsabilidade moral destas empresas de reprimir o conteúdo que mostra animais forçados a sofrer por entretenimento e ganho financeiro”, diz Alan Knight, diretor-executivo da organização "International Animal Rescue", citado pelo JN.

A Asia for Animals Coalition apela às plataformas para adotarem critérios uniformes e assegurarem-se que as regras para proibir crueldade animal são cumpridas nos conteúdos publicados pelos seus utilizadores, bem como facilitar os mecanismos de denúncia e criar mecanismos que distingam conteúdos educativos sobre sofrimento animal deste tipo de vídeos. Por outro lado, exigem que as empresas deixem de pagar aos criadores destes conteúdos e que monitorizem esses criadores no sentido de evitar a criação de novos canais onde possam exibir cenas de crueldade animal.

No total dos vídeos identificados, nove em cada dez encontrava-se no Youtube. Isto não significa necessariamente que seja o Youtube a alojar mais vídeos, refere a associação, mas apenas que são ali mais fáceis de encontrar. Por exemplo, é sabido que existem muitos grupos privados onde este tipo de conteúdos circulam fora da vista do público em geral. Muitos dos vídeos incluem publicidade, que garante receita aos seus autores, embora as marcas anunciantes não tenham conhecimento de que surgem associadas a estes conteúdos. Aliás, nalguns casos os anúncios que apareciam eram a associações que promovem o bem-estar animal, refere o estudo.

A associação diz que os utilizadores das redes podem ajudar no combate à crueldade online: em primeiro lugar, estando atentos às formas de crueldade, que podem não ser óbvias; em segundo, denunciando o vídeo em questão por “crueldade aninal”; em terceiro, se possível, não ver o vídeo para não aumentar a sua popularidade (na maior parte dos casos a imagem, título e descrição são suficientes para perceber o conteúdo); em quarto, não interagir com comentários ou reações positivas ou negativas; e finalmente não partilhando o vídeo em causa.

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