You are here

Crise petrolífera agrava-se, BP distribui dividendos

O preço do petróleo afunda, a dívida da empresa aumenta e os lucros desceram dois terços. Mas nada disto impede a multinacional petrolífera de distribuir dividendos entre os seus acionistas.
Cartaz de um protesto contra os combustíveis fósseis. Janeiro de 2010. Foto de Derek Bridges/Flickr.
Cartaz de um protesto contra os combustíveis fósseis. Janeiro de 2010. Foto de Derek Bridges/Flickr.

Não é apenas em Portugal que se distribuem dividendos a meio de uma crise de consequências ainda incomensuráveis.

Do que já se sabe, nada aconselharia a BP a fazê-lo: no primeiro trimestre do ano os lucros baixaram dois terços e a dívida está nos níveis mais altos de sempre chegando a 51,4 mil milhões de dólares. Do que se espera também não: a própria empresa confirmou que mesmo depois das restrições começarem a ser levantadas na maior parte dos países ocidentais, os lucros continuarão certamente em baixo. Mas nada disto demoveu a decisão da empresa de atribuir 10,5 cêntimos por ação.

Bernard Looney, chefe executivo da BP, anui que há “incertezas significativas” no horizonte da extração de petróleo e de gás face à quebra da procura. A resposta à crise da BP passa por cortar “despesas”. Um quarto dos gastos previstos não se irá realizar. E anuncia-se a possibilidade de cortar ainda mais. Tudo menos não distribuir dividendos, parece ser a política da empresa.

Isto quando se soube que, esta terça-feira, os preços do petróleo voltaram a cair. A procura caiu a pique devido à pandemia e a capacidade de armazenamento deste combustível esgota-se. As empresas estão já a alugar embarcações caras para tentar aumentar esta capacidade.

Por outro lado, uma retoma gradual da maior parte das economias ocidentais significa que o problema não deixará de se fazer sentir.

O corte de produção de 10 milhões de barris de petróleo por dia, anunciado pela Organização de Países Exportadores de Petróleo e pela Rússia não se mostrou suficiente para lidar com as perdas.

Termos relacionados Internacional
(...)