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Crise climática: “O mundo nunca viu uma ameaça aos direitos humanos desta dimensão”

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos denunciou o impacto das alterações climáticas nos direitos humanos. A degradação ambiental está ligada a 40% das guerras civis nas últimas décadas, apontam as Nações Unidas.
Michelle Bachelet
Michelle Bachelet. Foto Jean Marc Ferré/ONU

A abertura da 42ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, na passada segunda-feira em Genebra, serviu para a alta comissária Michelle Bachelet insistir em destacar o contributo das alterações climáticas para a degradação dos direitos humanos no mundo.

“As economias de todos os países, o tecido cultural, social, político e institucional de cada estado e os direitos de todos os seus povos e gerações futuras, serão afetados” pelas alterações climáticas, defendeu Bachelet.

O aumento dos conflitos armados que têm entre as suas causas a crise climática — como a degradação do solo arável na cintura africana do Sahel, que atravessa o continente do Saara ao Sudão — foi outra das preocupações manifestadas no discurso de Bachelet. A alta comissária referiu um estudo da ONU que aponta razões climáticas como uma das origens de 40% das guerras civis nos últimos 60 anos.

A sessão começou com um minuto de silêncio em memória das vítimas do furacão Dorian, uma tempestade que “ganhou velocidade a um ritmo sem precedentes sobre um oceano aquecido pelas alterações climáticas, tornando-se um dos maiores furacões do Atlântico desde sempre a atingir a terra”, afirmou a alta comissária. O furacão fez pelo menos 44 mortos e devastou as Bahamas, destruindo milhares de casas e infraestruturas.

Bachelet insistiu ainda nas suas críticas à “drástica desflorestação” da Amazónia, dias depois de ser alvo de um ataque pessoal de Bolsonaro, referindo-se à tortura de que o seu pai foi vítima por parte do regime ditatorial de Pinochet.

Outro alvo da alta comissária foi a violência crescente que têm sofrido os líderes dos movimentos que defendem o ambiente e os direitos humanos na América Latina, mas também “os ataques verbais a jovens ativistas como Greta Thunberg e outros, que mobilizam apoio para prevenir os danos que a sua geração poderá ter de suportar”.

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