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Crise atirou mais 400 mil para a pobreza, diz estudo

As consequências económicas da pandemia agravaram ainda mais o fosso entre ricos e pobres em Portugal, invertendo a tendência iniciada em 2015 de redução da pobreza.
homem na rua
Foto de Pedro Gomes Almeida.

Um estudo do Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa, apresentado na terça-feira pela Fundação La Caixa e citado pela agência Lusa, analisou o efeito da crise económica provocada pela pandemia de covid-19.

"Em comparação com o cenário sem crise, 400 mil novos indivíduos caíram abaixo do limiar de pobreza, definido como 60% do rendimento mediano equivalente, aumentando a taxa de risco de pobreza em 25% como consequência da pandemia de covid-19", concluiu o estudo.

Segundo este trabalho da autoria de Joana Silva, Anna Bernard, Francisco Espiga e Madalena Gaspar, a crise trouxe "perda substancial de rendimentos para a população portuguesa”. O rendimento mediano anual caiu de 10.100 euros no cenário sem crise para 9.100 euros no cenário com crise.

Os “efeitos assimétricos” da crise foram sentidos sobretudo pelas classes baixa e média-baixa, a região do Algarve e as pessoas com escolaridade até ao nono ano, que tiveram “perdas claramente acima da média nacional”. Como a maior parte das pessoas mais afetadas já se encontrava na metade inferior da distribuição de rendimento, reforçou-se a desigualdade já presente na sociedade portuguesa.

"Os resultados mostram que a pandemia levou a um impressionante aumento de 25% da pobreza ao longo de um ano, quando comparados os cenários com e sem crise, pondo em risco os progressos feitos nos últimos vinte anos e invertendo a tendência de redução continuada da pobreza iniciada em 2015, quando a taxa de pobreza era de 19%", refere o documento.

O estudo destaca ainda a importância das medidas de proteção aprovadas pelo Governo, pois “sem a sua implementação, o confinamento inicial de oito semanas teria produzido aproximadamente o mesmo impacto sobre a pobreza e a desigualdade que aquele calculado para um ano inteiro”.

Lay-off caiu para metade em maio

O número de trabalhadores em regime de lay-off caiu para metade em maio em relação a abril, de 15.529 para 7.927, segundo os números da Segurança Social citados pela Lusa.

Destes trabalhadores, 4.906 estão com redução do horário de trabalho e 3.021 com suspensão de contratos de trabalho. O número de empresas abrangidas era em maio de 309, menos 24 que no mês anterior.

No que respeita ao número de trabalhadores independentes com contribuições declaradas em abril à Segurança Social, caiu mais de 25 mil em relação a março, totalizando 357.325. No sentido inverso, o número de trabalhadores dependentes subiu 13.243 em abril, num total de 3.608.148 pessoas. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, regista-se menos 28.421 contribuições declaradas de trabalhadores independentes (-7.4%) e mais 67.688 de trabalhadores dependentes (+1.9%).

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