You are here

Criado índice para medir igualdade de género

O Centro de Estudos Sociais (CES) de Coimbra apresenta esta segunda-feira o Índice Municipal para a Igualdade de Género, com o objetivo de fomentar um maior combate da administração local às desigualdades existentes entre homens e mulheres.
Imagem do Portal Forum

A coordenadora deste projeto, Virgínia Ferreira disse à Lusa que o índice que vai ser apresentado no colóquio internacional intitulado “Local Gender Equality” que decorre no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), permitirá comparar os resultados dos diferentes municípios, bem como criar um ranking de autarquias, facilitando “ exercícios de comparação e promoção de boas práticas” na luta contra as desigualdades de género.

"Sem métricas, é difícil estabelecer objetivos", afirmou Virgínia Ferreira, acrescentando ainda que com esta ferramenta um concelho pode "perceber a posição que ocupa e como pode melhorá-la".

Refira-se que o índice é composto por 20 indicadores, divididos em três tipos: estruturais (existência de um serviço autárquico dedicado à cidadania e igualdade de género), de resultados (estatísticas relacionadas com mercado de trabalho, segurança ou saúde, entre outras áreas) e de processo (existência de medidas concretas para a promoção da igualdade), explicou a coordenadora do projeto.

Adoção oficial do índice

Para Virgínia Ferreira, as câmaras terão assim de disponibilizar nos seus sites as informações e documentos que confirmem os indicadores estruturais e de processo, para que estes possam ser validados.

A participação no índice, que vai estar disponível em lge.ces.uc.pt, será "voluntária", sendo que a equipa do projeto procurará sensibilizar "as instituições públicas que tutelam esta área" para que o "índice possa ser oficialmente adotado" como mecanismo para a promoção da igualdade de género, fez notar.

Sublinhe-se que este projeto teve início em junho de 2014 e foi desenvolvido em parceria com os municípios de Ferreira do Alentejo, Lagoa, Mangualde, Pombal e Póvoa do Lanhoso e com o Centro de Estudos e Formação Autárquica, tendo contado também com a participação do Centre for Gender Research, da Universidade de Oslo, na Noruega.

Além da criação do índice, o projeto desenvolveu ainda "um livro branco para a integração da igualdade de género nas políticas locais", um "kit de ferramentas para o diagnóstico participativo" e oito guiões com "princípios e metodologias que devem ser adotadas, bem como instrumentos para monitorização das políticas" autárquicas, referiu.

Os guiões integram boas práticas encontradas a nível não só a nível nacional como internacional e estão repartidos em oito áreas: saúde e ação social, educação, urbanismo e ambiente, cultura, desporto, juventude e lazer, mobilidade e transportes, segurança e prevenção da violência em espaço urbano, gestão de pessoas, emprego e formação e violência no trabalho.

Do conjunto de sugestões estão a inclusão de cláusulas nos programas de apoio a coletividades e associações que garantam a igualdade entre homens e mulheres na prática cultural, criação de serviços de guarda de crianças enquanto mães e pais assistem a espetáculos, visibilidade do papel das mulheres na atribuição de nomes a ruas e praças, implementação de medidas de combate ao bullying sexual e de género nas escolas ou a adaptação de veículos de transporte público a mulheres que viajam com crianças, carrinhos ou sacos de compras.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade
(...)