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Cratera do asteróide que extinguiu os dinossauros vai ser perfurada

A iniciativa tem como objetivo perceber as consequências do impacto e de que forma o planeta se regenerou, para perceber o que acontecerá em caso de nova colisão.
Os cientistas acreditam que o impacto do asteróide poderá ter sido mil milhões de vezes mais forte do que a bomba atómica lançada sobre Hiroshima, no Japão.

Partindo da expetativa de que, ao analisar os sedimentos que permanecem na cratera de Chicxulub, no Golfo do México, seja possível conhecer a forma como a vida se recuperou após este impacto devastador, uma equipa de cientistas da Universidade do Texas, nos EUA, e da Universidade Autónoma do México, vão perfurar a cratera deixada pelo asteróide que, há 66 milhões de anos, esteva na origem da a extinção dos dinossauros e destruiu grande parte do planeta.

"Pode assumir-se que, na zona zero deste impacto, estamos a lidar com um oceano estéril e que, com o passar do tempo, se renovou a si mesmo. Podemos aprender alguma coisa para o futuro", disse à CNN, Sean Gulick, do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas.

Os cientistas acreditam que o impacto do asteróide poderá ter sido mil milhões de vezes mais forte do que a bomba atómica lançada sobre Hiroshima, no Japão, e que terá feito entre 90 a 166 mil mortes em 1945. Depois de colidir com o planeta, o asteróide terá causado um efeito dominó de catástrofes naturais, cobrindo a terra com uma grossa capa de pó e sedimentos rochosos. Foi esta sequência de desastres que causou depois, segundo a teoria mais popular, a extinção dos dinossauros e répteis marinhos que, naquela altura, habitavam o planeta.

"Pode assumir-se que, na zona zero deste impacto, estamos a lidar com um oceano estéril e que, com o passar do tempo, se renovou a si mesmo", dizem os cientistas.

O início da perfuração está prevista para abril, prevendo-se que o processo leve dois meses a concluir-se. Este esforço surge na sequência da análise dos dados recolhidos por uma perfuração comercial no local, que mostraram que o impacto do asteróide, com cerca de 10 quilómetros de largura, mudou a própria fisiologia do Golfo do México.

A compreensão do que aconteceu na cratera de Chicxulub poderá ser fundamental para auxiliar os investigadores a fazer prognósticos sobre o que sucederia se, mais uma vez, um asteróide colidisse com a Terra. "Sabemos bem o que aconteceria se outro asteróide deste tamanho nos atingisse nos dias de hoje e não seria bom, mas o nosso trabalho contribui para um corpo de trabalho maior, dedicado a entender os vários processos geológicos e ecológicos que ocorrem quando se registam eventos de tal magnitude", explicou, por seu turno, Jason Ford.

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