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Covid-19: Países pobres com 1,5 doses da vacina por cada cem pessoas

Organização Mundial de Saúde apela a que a terceira dose da vacina não seja facultada até que pelo menos 10% da população de todos os países seja vacinada. Mais de 80% das doses têm sido administradas nos países mais ricos, que representam menos de metade da população mundial.
Foto de CARLOS BARROSO | Crédito: LUSA.

“Percebo a preocupação de todos os governos que querem proteger os seus cidadãos da variante Delta”, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa. “Mas não podemos, e não devemos, aceitar que países que já usaram a maior parte do stock mundial de vacinas usem ainda mais, enquanto a população mais vulnerável do mundo continua desprotegida”, continuou Ghebreyesus, citado pelo jornal Público.

De acordo com o diretor-geral da OMS, mais de 80% das doses contra a covid-19 têm sido administradas em países de rendimento alto e médio-alto, ainda que os mesmos representem menos de metade da população mundial. Nos países mais pobres, foram dadas apenas 1,5 doses por cada cem pessoas. Já os países ricos facultaram 50 doses por cada cem pessoas durante o mês de maio e, entretanto, duplicaram esse valor (são contabilizadas vacinas com duas doses e de dose única).

“Precisamos urgentemente de uma inversão: da maioria das vacinas ir para países ricos, para a maioria ir para países com rendimento baixo”, defendeu Ghebreyesus, apelando a que a terceira dose da vacina não seja facultada até que pelo menos 10% da população de todos os países seja vacinada.

Israel começou na sexta-feira a administrar a terceira dose da vacina a pessoas com mais de 60 anos. Os primeiros a serem vacinados foram o presidente israelita, Isaac Herzog, e a sua mulher. A Alemanha também já anunciou que irá avançar para a terceira dose de reforço a idosos e pessoas mais vulneráveis a partir de 1 de setembro. A Reuters noticia que Espanha também considera essa possibilidade. Os Estados Unidos estão a analisar a necessidade de uma terceira dose, mas já adjudicaram à Pfizer e a BioNTech a compra de mais 200 milhões de vacinas.

Em declarações ao New York Times, Krutika Kuppalli, especialista em doenças infeciosas da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Sul, explica que não há investigação suficiente para apoiar uma terceira dose. E acrescenta que, em termos éticos, “antes de começarmos a falar de uma terceira dose da vacina, devíamos assegurar-nos de que toda a gente consegue obter uma dose”.

O programa de vacinação global Covax tinha alimentado as expectativas de vários países de menor rendimento. Mas, das 640 milhões de doses disponíveis que estavam planeadas, apenas foram entregues 163 milhões. Acresce que se têm registado inúmeras dificuldades logísticas no que concerne a fazer chegar as vacinas às populações.

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