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Covid-19: Cuidados a ter com os bebés e crianças

Nesta entrevista ao esquerda.net, a pediatra Tânia Russo fala da transmissão do vírus e dos seus sintomas nos mais pequenos. E alerta para a atenção especial que pais e mães devem ter nos casos de crianças com doenças crónicas.

Quais os sintomas do vírus em bebés e crianças?

Os sintomas nas crianças são aqueles que já estão divulgados, e que se manifestam também nos adultos. No entanto, nas crianças mais pequenas, os sintomas podem ser menos evidentes, menos específicos, podendo manifestar-se apenas com febre, tosse e obstrução nasal. Numa criança já mais velha, além destes sintomas, é possível que exista ainda dor de garganta, dor de cabeça, dores no corpo - a que nós chamamos mialgias. Basicamente, são estes os sintomas, que já são mais parecidos com os de um adulto.

O que fazer se se suspeitar que uma criança está infetada?

A melhor coisa a fazer é ligar para a Saúde24. Nessa linha existem profissionais que colocam um conjunto de questões e indicam o que é que a pessoa deve fazer. É importante fazer esta ligação para a linha Saúde24, e não recorrer imediatamente ao centro de saúde ou ao hospital, porque, ao fazê-lo, poderá estar a pôr em risco quer a criança, quer as outras pessoas que possam estar nesses locais. Eu sei que tem sido dito repetidamente que a linha de Saúde24 demora por vezes a atender, no entanto, se a criança estiver estável, se não existirem sinais de gravidade, se não houver dificuldade respiratória - que habitualmente se vê pela existência de covinhas ao respirar, na zona do pescoço, na zona das costelas - então aí, em principio, não será nada de grave, e a criança pode aguardar até que seja atendida pela Saúde24.

 Que cuidados devemos ter com crianças com doenças crónicas?

As crianças com doença crónica são também um grupo de risco, pelo que devemos estar atentos. Em causa estão, por exemplo, doenças respiratórias crónicas, uma asma grave, diabetes, doenças cardíacas, doenças oncológicas, ou que façam alguma espécie de terapêutica que deprima o sistema imunitário. Com estas crianças deve-se ter especial atenção e, sempre que surjam os sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar, devem então contactar a linha de Saúde24 e referir que existe determinada doença crónica. Sempre que há alguma preocupação com o estado de saúde da criança, se a criança não parece bem, parece ter algum critério de gravidade, e não for possível serem atendidos na linha de Saúde24, então devem contactar ou o centro de saúde, ou o seu médico. Volto a sublinhar que é muito importante que, com estas crianças que têm doença crónica, seja tido um cuidado especial, porque elas são também um grupo de risco.

 Porque é que o vírus parece não afetar tanto as crianças?

Ainda não se conhece muito sobre este vírus, mas o que se verifica é que, de facto, na criança a doença tem menos gravidade. Isto significa que pode dar apenas um síndrome gripal e sem sintomas de gravidade. Há algumas exceções, como houve recentemente o caso do adolescente que faleceu, mas que tinha em princípio uma doença crónica. As razões que se apontam, embora isto não esteja completamente provado, é que as crianças possam ter um epitélio das vias respiratórias mais imaturo, onde os vírus não se fixam tanto, daí não terem uma doença tão grave. Mas são ainda teorias, não está ainda nada provado ou ainda se conhece muito pouco.

As vacinas, o teste do pezinho e o acompanhamento de outras doenças devem continuar a ser feitos?

É muito importante que os pais não deixem de fazer os tratamentos próprios dessas idades aos seus filhos. Existem outras doenças sem ser a Covid, doenças potencialmente graves, e temos de continuar a proteger as nossas crianças contra essas doenças. O teste do pezinho, as vacinas durante o primeiro ano de vida e nos anos seguintes devem ser sempre feitas, não devem ser adiadas. E o que é que os pais devem então fazer? Devem contactar o seu centro de saúde e procurar agendar esses procedimentos. O mesmo se aplica também para as doenças crónicas. Crianças com doenças crónicas não devem também perder o seu seguimento no médico. É possível, atualmente, fazer consultas por telefone, as chamadas teleconsultas. Os pais das crianças devem falar com o médico, ou aguardar o contacto do seu médico para poderem manter essa vigilância. 

 

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