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Cosméticos europeus continuam a usar ingredientes testados em animais

Um regulamento europeu proíbe os testes de cosméticos em animais vivos. Mas as imposições de um outro, o REACH, contrariam a proibição. Os europeus não podem confiar que os produtos que usam não foram objeto deste tipo de teste, dizem investigadores.
Coelho usando cosméticos. Foto de uma instalação atribuída a Banksy. Por acb/Flickr.
Coelho usando cosméticos. Foto de uma instalação atribuída a Banksy. Por acb/Flickr.

Um estudo publicado esta quarta-feira na revista Alternatives to Animal Experimentation concluiu que centenas de cosméticos vendidos na Europa contêm ingredientes testados em animais. Ao todo, estes produtos resultam de mais de uma centena de experiências em animais, nomeadamente ratos e coelhos.

Segundo o regulamento 1223 de 2009 da União Europeia, são proibidos testes de segurança de produtos cosméticos em animais, o que inclui o produto final mas também os seus vários ingredientes. Só que um outro, o REACH, Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals, de 2006, que regula o uso de químicos, podem implicar a necessidade de testes em animais em alguns desses ingredientes. A investigação cingiu-se aos químicos que apenas são utilizados pela indústria cosmética. Dos 3.206 produtos químicos registados na base de dados do REACH, 419 apenas têm uso cosmético. De entre esses, 63 foram alvo de 104 testes em animais depois deles terem sido oficialmente banidos.

Os investigadores salientam que a maioria das empresas que produzem cosméticos usaram métodos alternativos. O problema é que “algumas fizeram novos testes in vivo para cumprir os parâmetros REACH quanto a dados de toxicidade e a avaliação de segurança no trabalho”. A agência europeia que gere este regulamento, a ECHA, chegou mesmo a rejeitar pedidos que utilizaram métodos alternativos de testagem considerando-os “insuficientes” e exigindo para a legalização do produto testes em animais vivos.

Um dos autores do estudo, Thomas Hartung, especialista em alternativas à testagem animal da Universidade Johns Hopkins, em declarações citadas pelo Guardian, conclui que “os consumidores europeus não podem presumir que os produtos que estão a comprar não são testados em animais".

Um porta-voz da ECHA, ao mesmo órgão de comunicação social, confirmou que, em caso de não haverem “testes alternativos”, são mesmo exigidos testes em animais. Apesar de se reconhecer o uso de alternativas, esta instituição defende que “uma percentagem muito alta” das propostas que lhe são apresentadas não dão “suficiente justificação científica”. Muitos cientistas e ativistas opõem-se a esta ideia, entre os quais se contam os autores do estudo.

Esperam-se assim muitos mais testes deste tipo. Katy Taylor, diretora científica da Cruelty Free International, avisa que “a ECHA já pediu novos testes em animais… envolvendo milhares de animais e minando a confiança pública na forma como a União Europeia mantém a sua proibição de testes em animais”.

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