Centenas de pessoas estiveram este sábado em Mozelos, no concelho de Santa Maria da Feira, para voltar a mostrar solidariedade com a trabalhadora que está a ser alvo de um segundo processo de despedimento por parte da empresa Fernando Couto-Cortiças. A empresa perdeu o primeiro processo, foi obrigada a reintegrá-la e em seguida colocou Cristina Tavares sob condições de trabalho degradantes.
A denúncia do caso à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) deu origem a uma multa de 31 mil euros por assédio moral da empresa a Cristina Tavares, e a resposta imediata foi um novo processo de despedimento por alegada “difamação”.
“A melhor testemunha de Cristina Tavares é a ACT, que atuou e confirmou que ela estava a ser vítima de assédio e trabalho improdutivo”, afirmou o líder da CGTP, Arménio Carlos, ao Jornal de Notícias. A audiência em tribunal sobre o pedido de impugnação da multa está marcada para o dia 28 de fevereiro.
“Ninguém está acima da lei e nenhum patrão poderá deixar de respeitar uma decisão do tribunal", acrescentou o líder da CGTP, sublinhando que “é preciso que se faça justiça de forma célere”.
O deputado bloquista Moisés Ferreira e o antigo coordenador do Bloco de Esquerda também participaram nesta corrente solidária. Ao JN, Francisco Louçã afirmou que o que está em causa é um "caso impressionante de prepotência laboral”, ao qual Cristina Tavares tem dado "um exemplo de persistência, sensatez e dignidade comovente e mobilizadora”. "Espero que as decisões dos tribunais lhe venham a dar a razão", concluiu Louçã.
Para Moisés Ferreira, trata-se de "uma luta muito importante, pela Cristina Tavares e por todos os trabalhadores que diariamente sentem o mesmo tipo de assédio, sentem o mesmo tipo de prepotência por parte dos patrões". Ao Esquerda, o deputado sublinhou que "o Bloco tem estado sempre presente nesta luta para deixar bem claro que a Cristina Tavares não está sozinha nesta luta. Pelo contrário, quem está cada vez mais isolada é a administração da corticeira Fernando Couto."