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Coreia do Norte anuncia ter detonado a sua primeira bomba de hidrogénio

A Coreia do Norte afirmou ter testado esta quarta-feira, pela primeira vez, uma bomba de hidrogénio, versão significativamente mais poderosa de uma bomba nuclear. Notícia é recebida com cepticismo e condenação internacional. Conselho de Segurança das Nações Unidas já convocou uma reunião de emergência.
No momento de comunicar a detonação, o regime disse que o teste é unicamente defensivo e tem apenas os Estados Unidos em mente, conforme declarou a apresentadora, na emissora estatal. Foto de JEON HEON-KYUN/EPA/LUSA.

Regime de Kim Jong-un tornou público, esta quarta-feira, um avanço importante, e igualmente preocupante, na sua força nuclear. A Coreia do Norte anunciou ter detonado a sua primeira bomba de hidrogénio, uma versão significativamente mais poderosa – trata-se de uma bomba nuclear muito mais potente do que as bombas unicamente de fissão nuclear, como aquelas que foram lançadas pelos Estados Unidos da América sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui em 1945; em comparação com estas, a chamada bomba H tem uma capacidade de destruição milhares de vezes superior.

No momento de comunicar a detonação, o regime disse que o teste é unicamente defensivo e tem apenas os EUA em mente. “É uma medida de autodefesa necessária para defendermos o nosso direito a viver na face de ameaças nucleares e chantagens vindas dos Estados Unidos”, declarou a apresentadora, na emissora estatal.

A bomba H é uma bomba nuclear muito mais potente do que as bombas unicamente de fissão nuclear, como aquelas que foram lançadas pelos EUA sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui em 1945.

O teste, que a emissora estatal garante ter sido “um sucesso completo”, foi executado por volta das 10h locais (primeiras horas da madrugada em Portugal) e a notícia foi avançada durante a madrugada pelos canais oficiais do regime. Porém, não foi ainda confirmada por observadores independentes, embora tenha sido detectado um sismo artificial de 5,1 pontos na escala de Richter perto de uma conhecida zona de testes nucleares do regime. O sismo registou uma intensidade semelhante ao último teste nuclear subterrâneo realizado pela Coreia do Norte, o que parece indicar a explosão de uma nova bomba tradicional, ou, então, a de um engenho de hidrogénio que falhou. Já o Japão anunciou que, por enquanto, não conseguiu detectar rastos de radiação no exercício desta quarta-feira.

A avaliação externa do teste desta quarta-feira poderá demorar vários dias ou até semanas. De qualquer modo, a comunidade internacional já respondeu com uma condenação clara, apesar das dúvidas sobre se a explosão subterrânea detectada nas instalações de Punggye-ri, na costa Leste do país, tenha vindo realmente de uma bomba de hidrogénio, como diz o regime.

Até agora, julgava-se que o Coreia do Norte estava ainda longe de chegar à tecnologia necessária para produzir uma bomba de hidrogénio, mais sofisticada e potente do que um míssil nuclear tradicional. A confirmar-se, este será o quarto teste nuclear executado pelo regime norte-coreano e o primeiro desde 2013. As explosões anteriores, embora nucleares, tiveram uma intensidade relativamente baixa.

"Julgando pelo impacto, existe a possibilidade de que as afirmações da Coreia do Norte sobre ter feito um teste com uma bomba de hidrogénio não sejam exactas", afirmou o deputado sul-coreano Lee Cheol à agência de notícias do país, a Yonhap, citada pelo Público, referindo-se aos primeiros dados recolhidos por agências de informação.

Por seu turno, e apesar do cepticismo internacional, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe afirmou no Parlamento: "O exercício nuclear conduzido pela Coreia do Norte é uma séria ameaça à nossa nação e não podemos absolutamente tolerá-lo". Washington condenou o exercício, prometeu defender os seus aliados e, como os outros países, disse que não é ainda capaz de avaliar a explosão norte-coreana.

A China, a grande aliada do regime norte-coreano, afirmou estar "firmemente contra" o teste, do qual, assegura, nada sabia. Pequim defende o programa de desarmamento nuclear na Coreia do Norte e, apesar das ajudas continuadas ao regime, assentiu no passado a sanções pelos exercícios nucleares de regime norte-coreano. "Apelamos com firmeza a que a República Popular Democrática da Coreia continue dedicada ao seu compromisso de desarmamento nuclear e pare de tomar acções que piorem a situação", afirmou a porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Hua Chunying, citado pela imprensa internacional.

Conselho de Segurança da ONU convoca reunião de emergência sobre Coreia do Norte

Entretanto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião extraordinária para o meio da tarde desta quarta-feira, a pedido do Japão e do EUA, indicou a porta-voz da missão norte-americana na ONU, Hagar Chemali.

Ao contrário do seu pai, que nos seus últimos anos de governo aceitou restrições internacionais aos programas nuclear e de balística a troco de ajudas externas, Kim Jong-un adoptou uma estratégia nuclear diferente e mais agressiva. O seu regime desafiou ordens das Nações Unidas ao fazer o terceiro teste de uma bomba atómica, em 2013, e, só no último ano, pôs em funcionamento um reactor nuclear desactivado e anunciou ter conseguido lançar o seu primeiro míssil desde um submarino.

As negociações para o desarmamento nuclear da Coreia do Norte acabaram em Abril de 2012, já com Kim Jong-un no poder. A primeira detonação nuclear norte-coreana foi em 2006 e a segunda aconteceu em 2009, provocando o agravamento das sanções internacionais. Sempre que o regime norte-coreano violou as regras internacionais, o Conselho de Segurança das Nações Unidas respondeu-lhe com sanções mais severas, e sempre com o apoio da China.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros já condenou o teste nuclear realizado pela Coreia do Norte e disse esperar que o Conselho de Segurança das Nações Unidas decida “medidas que possam dissuadir este tipo de comportamentos”. Augusto Santos Silva disse à Lusa que a iniciativa norte-coreana “é a todos os títulos condenável, em primeiro lugar, porque viola expressamente várias resoluções internacionais e, em segundo lugar, porque acresce um fator de risco muito sensível a uma situação internacional que não está a caracterizar-se pela estabilidade”.

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