You are here

Cordão humano contra exploração mineira na serra da Argemela

Centenas de pessoas formaram um cordão humano este domingo, 4 de março, na localidade do Barco, na Covilhã, para protestar contra a exploração mineira na serra da Argemela. Deputado do Bloco Pedro Soares frisou que “esta é uma luta que nos deve unir a todos”.
Bloco apresentou um projeto de resolução na Assembleia da Republica que recomenda ao Governo que não seja celebrado o contrato de concessão de exploração mineira na Serra da Argemela.

"Estamos aqui para mostrar a nossa preocupação e para lembrarmos que temos de proteger a nossa Serra. Estamos a falar de uma exploração mineira a céu aberto, que estaria muito próxima de várias populações e que tem o Rio Zêzere à porta", afirmou Maria do Carmo Mendes, da GPSA - Preservação da Serra da Argemela, que organizou o protesto, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a ativista, o projeto mineiro contribuirá para a contaminação das águas, do solo e do ar, bem como para a destruição da fauna e da flora, do património histórico e da saúde das pessoas.

"Está em causa a destruição de cerca de 400 hectares da nossa serra", frisou, referindo-se a uma área que abrange os concelhos da Covilhã e do Fundão, no distrito de Castelo Branco.

Maria do Carmo Mendes explicou que, aos 45 hectares previstos para a mina a céu aberto, somam-se as áreas previstas para três escombreiras de deposição de estéreis, uma lavaria e uma barragem de rejeitados.

"População vai sofrer as consequências de toda a poluição"

O presidente da Junta de Freguesia do Barco, Luís Morais, alertou que a localidade vai perder mais do que ganhar, sendo que, a par dos prejuízos ambientais, o projeto terá também consequências ao nível do imobiliário e do turismo local.

Destacando que a freguesia do Barco fica a somente 500 metros, em linha reta, do espaço para onde está projetada a mina, Luís Morais não tem dúvidas de que "a população vai sofrer as consequências de toda a poluição que será criada".

"Vão usar três mil quilos de explosivos por dia, agora imaginem o que isto será todas as manhãs", vincou.

Também o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, o adjunto do presidente da Câmara do Fundão, Carlos Jerónimo, e a presidente da Junta de Freguesia de Silvares, no concelho do Fundão, Cláudia Pereira, se afirmaram contra o projeto.

Vítor Pereira assegurou que a autarquia está solidária com a população e que defenderá "intransigentemente" os seus interesses.

"Poderíamos ter aqui, eventualmente, 100 ou 200 postos de trabalho (...), mas isso compensa a perda de qualidade de vida, a contaminação das águas, a contaminação do ar, as explosões constantes que aqui vão existir?", questionou.

"Não queremos uma Minas da Panasqueira II", avançou, por seu turno, Carlos Jerónimo.

O processo para a concessão mineira de uma exploração foi iniciado em 2011, sendo que, no início de 2017, foi publicado o pedido de atribuição de concessão por parte de uma empresa privada.

“Esta é uma luta que nos deve unir a todos”

Numa emissão em direto a partir do protesto, assegurada pelo Bloco de Esquerda da Covilhã, Pedro Soares assinalou que “esta é uma luta que nos deve unir a todos”.

“É uma luta pelo ambiente, pelos direitos das populações, contra uma ideia extractivista e produtivista” daqueles que acham que “podem destruir o ambiente, a natureza e a paisagem para a obtenção de lucros imediatos”, adiantou o deputado bloquista.

 

De acordo com Pedro Soares, o que querem “fazer aqui no Barco, na Serra da Argemela é um atentado à natureza, aos direitos das pessoas”.

“Temos de unir todos os nossos esforços no sentido de impedir que isso aconteça”, reforçou.

“Este projeto de exploração não tem nenhum benefício para as populações nem para o território, muito pelo contrário. Prejudica, certamente, todas as expectativas que temos de desenvolvimento baseado no ambiente, no turismo, na paisagem, na agricultura e na qualidade do Rio Zêzere”, rematou.

Bloco volta a questionar Governo

O Bloco já tinha questionado o Governo em março do ano passado e voltou a usar este mecanismo para clarificar as intenções do Ministério do Ambiente no que respeita ao projeto de exploração mineira na Serra da Argemela.

Recordamos que os bloquistas apresentaram um projeto de resolução na Assembleia da Republica que recomenda ao executivo que não seja celebrado o requerido contrato de concessão de exploração mineira na Serra da Argemela, bem como que se promova um plano de recuperação do património histórico localizado na Serra da Argemela, e do respetivo ecossistema. 

A 27 de janeiro, a situação da Argemela foi integrada num programa dedicado às questões ambientais promovido pela Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Castelo Branco, que também contou com a presença do Presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente.

Entretanto, aproximando-se a Assembleia Municipal Ordinária de dia 7 de março, o núcleo concelhio da Covilhã do Bloco de Esquerda desafiou os membros deste órgão a apresentarem e aprovarem por unanimidade uma moção que coloque categoricamente o Município da Covilhã contra a exploração nociva para o concelho e região.

Para esse efeito, o núcleo encaminhará para os deputados, através de email endereçado ao presidente da Assembleia Municipal (AM), a moção apresentada na AM do Fundão pela deputada Cristina Guedes, aprovada por unanimidade.

 

AttachmentSize
PDF icon 2018_03_pergunta_argemela_1.pdf647.77 KB
PDF icon pjr_argemela.pdf467.28 KB
Termos relacionados Sociedade
(...)