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COP25: “Portugal tem de antecipar objetivos e ser coerente”, defende Zero

Nas vésperas da cimeira do clima, a associação ambientalista aponta “as contradições entre os anúncios políticos e a realidade portuguesa”, dando os exemplos da exploração de gás em Leiria/Alcobaça ou o aumento das emissões que trará o novo aeroporto na região de Lisboa.
Manifestação da greve climática
Manifestação da greve climática em Lisboa no fim de setembro. Foto ZERO/Facebook

A associação ambientalista Zero divulgou as suas expetativas quanto à próxima  cimeira ambiental, que se realiza em Madrid na primeira quinzena de dezembro. No que diz respeito ao contributo português, a Zero defende que “é preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas climáticas, antecipar objetivos e ser coerente nas ações para salvar o planeta de um aquecimento global excessivo”.

Mas para o país poder ser coerente com a emergência climática, a Zero considera “inadmissível” o avanço da exploração de gás natural na zona de Leiria/Alcobaça e acrescenta que “a considerável expansão das emissões da aviação com o aumento de oferta não pode ter lugar”. Mas deixa outros conselhos ao governo: “a gestão florestal não pode continuar a permitir as grandes áreas ardidas que se verificam anualmente, o modelo de uma agricultura e agropecuária intensivas tem de ser evitado, para além da necessidade de inversão do paradigma de um crescimento económico que se afirma ter de continuar com prejuízos dramáticos para o ambiente”.

Portugal pode também contribuir mais para ajudar os países em vias de desenvolvimento a atingirem as suas metas, defende a Zero. Por isso propõe no mínimo a duplicação do contributo português, atualmente estimado em 2.68 milhões de euros. Juntando-lhe as contribuições privadas, a associação calcula que seja possível aproximar-se da quantia de um euro por cada português. “Isso ajudaria, mesmo que de forma muito limitada, a cumprir as promessas de mobilizar 100 mil milhões de dólares anualmente por parte dos países desenvolvidos, como está presente no Acordo de Paris”- Isto numa altura em que apenas está assegurado um décimo dessa verba.

No entender desta associação, “o mundo precisa mais uma vez da liderança da União Europeia” e Portugal deve “apoiar a ambição da UE durante as negociações” no sentido de conseguir a redução das emissões a nível global.

“Emergência climática e injustiça social estão profundamente ligadas”

No comunicado divulgado esta sexta-feira, a Zero destaca ainda o “fracasso dos governos em abordar as ligações inerentes entre justiça social, ecológica e climática”, uma inação resultante de um sistema que “prioriza os interesses dos poucos poluidores e empresas ricas em detrimento da maioria que sofre um ónus injusto”.

Entre as várias questões que pendem sobre a cimeira de Madrid, a Zero destaca três: a de saber como as principais economias poderão contribuir em 2020 para a diminuição do défice de emissões; a garantia de que os mecanismos de mercado “não comprometem a integridade ambiental e a ambição climática”; e como serão calculadas as perdas e danos para fazer a compensação às pessoas afetadas por desastres climáticos.

“As perdas e danos induzidos pelas alterações climáticas estão a afetar os países mais pobres de maneira mais significativa, países estes que não têm capacidade financeira para reconstruir e recuperar tão rapidamente como os países desenvolvidos”, recorda a associação, apelando à revisão do Mecanismo de Varsóvia para criar meios que financiem essa compensação.

A Zero refere-se ainda aos protestos sociais que este ano eclodiram em sítios como  Hong Kong, Reino Unido, Haiti, Líbano, Equador e Chile como “o culminar do aumento da consciência pública e da falta de ação dos governos para tratar das causas profundas da emergência climática e da injustiça social”, dois aspetos que sublinha estarem “profundamente ligados”.

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