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Convocar a História: as conversas da primeira série do podcast

Colonialismo, I República ou luta contra a ditadura são alguns dos muitos temas abordados ao longo dos 70 programas que integram a primeira edição do Podcast “Convocar a História”. “Foi um trabalho exaustivo e mesmo assim tanto ficou por falar e debater. Teremos pois de recomeçar após este intervalo para balanço” afirma Fernando Rosas.
Chegou ao fim a primeira série do podcast "Convocar a História"

“Convocar a história diz tudo o que queremos fazer: trata-se de convocar o conhecimento histórico, um facto histórico, um livro, uma época, para a partir dos ensinamentos ou das visões que é possível ter sobre ela, melhor podermos entender o presente e o futuro”. Foi com estas palavras que Fernando Rosas apresentou o Podcast, cuja primeira emissão foi para o ar no dia 12 de junho de 2020. 

Foram setenta os programas que integraram esta primeira série do Podcast que agora chega ao fim. Em cada programa, Fernando Rosas fez-se acompanhar por uma pessoa convidada bem como por um membro da equipa de redação do Podcast, da qual fazem parte Andrea Peniche, Luís Farinha, Luís Trindade, Mariana Carneiro, Miguel Cardina e Rita Lucas Narra

“Entre junho de 2021 e maio do corrente ano a redação do podcast ‘Convocar a História’ trouxe ao debate cerca de meia centena de temas sobre História de Portugal e do mundo, sobre as lutas passadas e atuais do trabalho, das mulheres, dos estudantes, sobre o racismo e a xenofobia, sobre o colonialismo, o pós-colonialismo e o anticolonialismo, sobre as revoluções e contra- evoluções passadas e atuais em Portugal, em Espanha, em França, na União Soviética, na Argélia ou na Irlanda. Lemos e discutimos com os seus autores livros recentes e importantes para a reflexão e o combate das esquerdas emancipatórias, discutimos a questão da extrema-direita e dos caminhos para lhe fazer frente. Evocamos a história de vida de mulheres e homens que se destacaram na luta por um mundo novo”, refere Fernando Rosas em declarações ao Esquerda.net.

“Foi um trabalho exaustivo e mesmo assim tanto ficou por falar e debater. Teremos pois de recomeçar após este intervalo para balanço e também para acorrermos às comemorações do cinquentenário do 25 de Abril no âmbito do Abril é Agora. Neste mundo de lutas difíceis em que vivemos, convocar a história para pensar e agir é particularmente urgente. Por isso voltaremos ao bom e salutar combate de ideias” conclui Fernando Rosas. 

Apresentamos aqui uma compilação de todos os temas abordados nas edições do podcast “Convocar a História”.

OS LIVROS COMO PONTO DE PARTIDA

Francisco Louçã esteve presente em dois programas, um deles sobre o livro “O futuro já não é o que nunca foi” e outro sobre “As sociedades do Medo” a partir de dois ensaios publicados no Expresso, designadamente “A Sociedade do Medo” e “A Estratégia do Bufão”. 

“Eichmann em Jerusalém” de Hannah Arendt bem como o conceito da “banalidade do mal”   motivaram a conversa com Viriato Soromenho Marques, Professor Catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Falamos também com a socióloga Inês Brasão, autora do livro “O tempo das criadas”, com a investigadora Catarina Laranjeiro sobre o livro "Dos sonhos e das imagens: a guerra de libertação na Guiné-Bissau" e com o historiador Steven Forti a propósito do seu livro “Extrema derecha 2.0”. 

Por fim, o espetáculo ‘Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas’ foi o ponto de partida para a conversa sobre cultura, história e memória com Joana Craveiro, diretora artística do coletivo Teatro do Vestido.

I REPÚBLICA

Foram três os programas que incidiram sobre a I República.

Com a investigadora Raquel Henriques falámos sobre “educação cívica”. Com a historiadora Maria Alice Samara conversámos sobre modernidade e também sobre a noite sangrenta de 19 de outubro de 1921, quando uma ‘camioneta fantasma’ percorreu a cidade de Lisboa e matou seis figuras da República.

OPOSIÇÃO AO ESTADO NOVO

1961 foi um ano marcado por diversos momentos que motivaram conversas neste podcast. Assim, falámos com Camilo Mortágua sobre o assalto ao Santa Maria, um ato revolucionário que assinalou para o mundo o princípio do fim do regime e do Império Colonial. 

Também em 1961, ocorreu a Abrilada, sobre a qual falamos com Aniceto Afonso, Coronel do Exército na situação de reforma, membro da Comissão Portuguesa de História Militar, ex-diretor do Arquivo Histórico Militar e ex-professor de História da Academia Militar.

A 31 de dezembro de 1961, Manuel Serra conduz os planos de um Assalto ao Quartel de Beja, que se frustra nos primeiros momentos da eclosão. Conversámos com Raul Zagalo, que participou neste movimento. 

A Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) juntou um conjunto vasto de opositores do Salazarismo, unidos pelo duplo objetivo de derrubar o regime e acabar com a Guerra Colonial. Iniciou-se com a Conferência das Forças Portuguesas Antifascistas, em 28 de dezembro de 1962, em Roma e continuou a sua atividade em Argel. Falámos com a investigadora Susana Martins sobre este processo. 

Em 1969 ocorreu a última tentativa de mudar o regime por dentro, através de um grupo de deputados que ficaria conhecido como "Ala Liberal". Falámos sobre este processo com José Pacheco Pereira, ex-deputado à Assembleia da República e no Parlamento Europeu pelo PSD, autor de dezenas de livros sobre história e política e fundador da "Biblioteca Ephemera", o maior arquivo privado português.

Na fase final do regime, entre 1970 e 1972 houve um período conhecido como luta armada, com ações bombistas da Ação Revolucionária Armada (ARA) e das Brigadas Revolucionárias, acontecimento que motivou a conversa com a historiadora Ana Sofia Ferreira.

A oposição católica ao Estado Novo foi o tema de conversa com Joana Lopes, doutorada em Filosofia e engenheira de sistemas, tendo trabalhado 25 anos na IBM onde foi a primeira mulher a  fazer parte da Comissão Executiva da Administração da empresa. 

Falámos também com a historiadora Luísa Duarte Santos sobre a publicação de “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes, em 1941, que consolidou a emergência do neo-realismo como movimento literário e cultural.

PORTUGAL E A II GUERRA MUNDIAL

Ao longo de quatro programas falámos sobre Portugal e a II Guerra Mundial. Começámos por conversar com a historiadora Cláudia Ninhos sobre a neutralidade de Portugal na guerra e por que esta interessava tanto ao Estado Novo. 

Com a historiadora Irene Pimentel falámos sobre espionagem, pois nesta altura os hotéis de Lisboa e do Estoril escondiam um ninho de espiões ingleses, alemães e de muitas outras nacionalidades. 

A conversa com Ansgar Schaefer, historiador, foi sobre os refugiados e com Susana Martins falámos sobre a resistência.

COLONIALISMO, ANTI-COLONIALISMO E GUERRA COLONIAL 

Em 1953, ocorreu em São Tomé o Massacre de Batepá, tema da conversa com a investigadora Inês Nascimento Rodrigues. Um outro massacre colonial, o de Mukumbura, motivou a conversa com o professor e investigador Mustafah Dhada: em 1971, o relatório dos padres Alfonso Valverde e Martín Hernandez expôs as atrocidades cometidas pelas tropas portuguesas, auxiliadas pela Rodésia (atual Zimbabué), entre abril e novembro desse ano, naquele que ficou conhecido como o massacre de Mukumbura, em Moçambique.

Com Pedro Aires Oliveira conversámos sobre os treze longos anos da guerra colonial e também sobre a Libertação de Goa, Damão e Diu. 

Com Fernando Cardeira ouvimos na primeira pessoa as histórias da deserção na guerra colonial e com José Pedro Monteiro o tema foi o trabalho forçado nas colónias. 

O processo de descolonização deu o mote à conversa com Pedro Pezarat Correia, oficial general reformado desde 1986, integrou seis comissões durante a Guerra Colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné), participou na movimentação militar que desembocou no 25 de Abril de 1974 e integrou o Conselho da Revolução desde a sua criação em março de 1975 até à sua extinção em outubro de 1982.

Para conversar sobre a abertura do Campo do Tarrafal, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, convidámos o investigador e historiador Víctor Barros

Amílcar Cabral e a luta de libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde foi o tema que abordámos com o historiador Julião Soares Sousa

Com a professora e ativista antirracista Beatriz Gomes Dias falámos sobre Lisboa e os lugares de memória colonial e com a socióloga Cristina Roldão discorremos sobre o longo lastro do colonialismo.

LUTAS ESTUDANTIS CONTRA A DITADURA 

A partir de meados da década de 1950, os protestos estudantis atingem um caráter continuado e em progressiva radicalização. As chamadas "crises académicas" - de 1957/58, de 1962, de 1965, de 1969 - são erupções mais visíveis dessas dinâmicas contestatárias crescentes, que se prolongaram até à queda do regime, um processo sobre o qual nos falou a historiadora Manuela Cruzeiro

Álvaro Garrido, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e seu atual diretor, foi o convidado para discutir “A crise académica de 1962”.

PESSOAS, ACONTECIMENTOS E EFEMÉRIDES

A gripe pneumónica matou milhares de pessoas entre 1918 e 1920. Falámos sobre esta pandemia com a historiadora Helena da Silva.

Acontecimentos ocorridos em 1931 motivaram dois programas: falámos sobre a Revolta das Ilhas Atlânticas com a historiadora Célia Reis e sobre “Portugal e Espanha, uma antecâmara da Grande Guerra Civil Europeia” com o historiador Luís Farinha, ex-diretor do Museu do Aljube Resistência e Liberdade em Lisboa. 

Na noite de 25 de novembro de 1967, chuvas intensas abateram-se sobre o país, provocando cheias e centenas de mortos e milhares de desalojados, sobretudo na região da Grande Lisboa e no Ribatejo. A mobilização dos estudantes universitários e liceais em auxílio dos sinistrados foi uma parte importante dessa história, contribuindo para uma crescente politização da juventude estudantil da época. Conversámos com a professora Luísa Tiago de Oliveira este sobre o assunto.

Assinalámos dois centenários: o da Seara Nova com António Rafael Amaro e o do nascimento do arquiteto Nuno Teotónio Pereira com João Afonso.

Registámos também dois bicentenários: o da Revolução Liberal com Fátima Sá e o do nascimento de Engels com Andrea Peniche

Quando se cumpriam 120 anos sobre o seu nascimento, o podcast foi dedicado à vida e obra de Bento de Jesus Caraça com a professora e investigadora Helena Neves. A Lei de separação do Estado e das igrejas motivou o podcast com a professora Júlia Leitão de Barros. 

A adesão de Portugal à CEE foi um dos temas abordados numa conversa sobre os caminhos da Europa, com o economista João Rodrigues. Com o historiador Manuel Loff conversámos acerca de “Fascismo e pós-fascismo”.

Por fim, conversámos com o professor e historiador João Madeira sobre os cinquenta anos da revolução de abril de 1974 que em breve se comemoram.

TRABALHO

A historiadora Maria Alice Samara falou connosco sobre a “História do 1º de Maio”. 

As lutas pelo sindicalismo livre nas vésperas do 25 de Abril” motivaram a conversa com Daniel Cabrita, dirigente sindical, Presidente da Direção do Sindicato dos Bancários em 1969 e cofundador, em 1971, da CGTP.

Com José Nuno Matos, especialista em sociologia do trabalho e dos media, falámos sobre o “Conceito de trabalho” e com o sociólogo e deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro o tema de conversa foi “O que é hoje a classe operária”.

100 ANOS DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (PCP)

Quando se assinala o centésimo aniversário do Partido Comunista Português, o Convocar a História assinalou esta efeméride com quatro programas centrados na história deste partido. 

"100 anos do PCP: História e historiografia" com José Pacheco Pereira foi o primeiro destes programas, ao qual se seguiram "O PCP e o levantamento nacional" com João Madeira, "O PCP e a questão colonial" com o historiador José Manuel Lopes Cordeiro e "O PCP e as mulheres" com Margarida Tengarrinha, resistente antifascista e dirigente histórica deste partido.

INTERNACIONAL

O historiador e professor Rui Bebiano falou connosco sobre a mais importante revolução do século XX, a "Revolução de Outubro". 

Com António Louçã conversámos sobre a "Revolução alemã de 1918-1923" e com Manuel Loff o tema foi o "Biénio Rosso em Itália", um biénio de lutas e greves entre 1919 e 1920 que constituiu o prenúncio de uma revolução que não chegou a concretizar-se. 

"A Grande Depressão de 1929" foi o tema de conversa com o economista Ricardo Paes Mamede.

"A questão da Palestina" foi o ponto de partida para o podcast com a ativista palestiniana Shahd Wadi e a situação no Sahara Ocidental motivou a conversa com Luísa Teotónio Pereira, licenciada em história, confundadora do Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC) e membro da Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental.

Mariana Avelãs falou connosco sobre o "Domingo Sangrento na Irlanda" e Tawfik Hadjadji sobre a "Independência da Argélia". 

A conferência Tricontinental de 1966, que juntou em Havana representantes de três continentes - África, Ásia e América Latina – foi o tema da conversa a investigadora Raquel Ribeiro.

LUTAS POR DIREITOS

A historiadora e professora Virgínia Batista conversou connosco sobre "O longo percurso dos feminismos em Portugal".

O "Movimento LGBTQI+ em Portugal, origem e evolução" foi o tema de conversa com a socióloga Ana Cristina Santos e a criação de um “Serviço Nacional de Cuidados” foi abordado com Mafalda Brilhante e Andrea Peniche.

Fernando Oliveira Baptista, professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa conversou connosco sobre a terra e o direto à terra.

CRISE CLIMÁTICA

A crise climática foi tema de dois programas, um com o engenheiro agrónomo Ricardo Vicente e outro com investigador João Camargo, sobre "O capitalismo e a crise climático-ambiental".

 

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