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Conselho Europeu: "O que realmente é importante ficou por decidir"

Marisa Matias lembrou que o anunciado aumento de 1% no orçamento comunitário surgiu "no mesmo dia em que a presidente do BCE afirmou que podemos perder 15% do PIB”. Para José Gusmão, "só com solidariedade a sério" se poderá evitar o caminho da última crise.
Marisa Matias e José Gusmão no Parlamento Europeu - Foto esquerda.net
Marisa Matias e José Gusmão no Parlamento Europeu - Foto esquerda.net

Os eurodeputados do Bloco de Esquerda criticam as decisões do Conselho Europeu desta quinta-feira, 23 de abril, e começam por usar a ironia.

“Nem fisga, nem bazuca: após 4 reuniões, divididas entre Eurogrupo e Conselho Europeu, e perante previsões de queda do PIB sem precedentes, os líderes europeus não foram capazes de produzir decisões que se vejam e remeteram para a Comissão”, afirmam e questionam: “É isto a ‘gestão de crise’ na UE?”

"Perante o impasse na definição do fundo de recuperação, na verdade a única coisa que sabemos é que foi aprovado um aumento do orçamento comunitário de 1%, no mesmo dia em que a Presidente do Banco Central Europeu afirmou que podemos perder até 15% do PIB europeu com esta crise pandémica, ou seja, nem uma fisga hoje no Conselho Europeu", afirmou Marisa Matias.

“A grande conclusão da reunião do Conselho Europeu foi que o que realmente é importante ficou por decidir. Ou seja, se o Fundo de Recuperação irá corresponder a empréstimos aos Estados-membros ou a financiamento a fundo perdido, financiamento a sério”, sublinha José Gusmão, acrescentando que Comissão e Conselho atiraram para a comunicação social grandes números, “mas eles não significam nada se corresponderem a empréstimos”.

O eurodeputado salienta ainda que “o caminho da dívida é o caminho da última crise” e frisa: “se quisermos resultados diferentes vamos ter de ter soluções diferentes. E essa solução é a solidariedade a sério”.

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