You are here

“Conseguimos mostrar que afinal havia alternativa ao empobrecimento”

Pedro Filipe Soares fez o balanço do primeiro ano do atual governo, sublinhando que graças à força da esquerda “tem políticas diferentes do que se fosse um governo maioritário do PS”.
Pedro Filipe Soares
Pedro Filipe Soares. Foto Ana Feijão.

Em declarações aos jornalistas sobre a passagem do primeiro ano de mandato do governo minoritário do PS com apoio parlamentar à esquerda, o líder da bancada do Bloco na AR destacou que “conseguimos mostrar ao longo deste primeiro ano que afinal havia alternativa política, ao contrário do que tinha sido dito. Diziam-nos que era tudo necessário, era mau mas inevitável, mas afinal era mau porque havia deliberadamente um projeto político do PSD e do CDS de empobrecimento do país”.

“Ao mostrarmos que havia alternativa, essa mentira da direita ficou clarificada. Nós provámos que era possível ter equilíbrio nas contas públicas, aumentando o salário mínimo nacional, acabando com os cortes na administração pública, reduzindo a sobretaxa do IRS muito mais rapidamente do que estava previsto, e com isso dando passos na melhoria do rendimento das pessoas e garantindo que há uma maior distribuição da riqueza no nosso país”, prosseguiu Pedro Filipe Soares.

Referindo-se em concreto ao Orçamento do Estado para 2017 que está a ser concluído na Assembleia da República, o líder parlamentar do Bloco destacou algumas medidas aprovadas graças à força da esquerda no hemiciclo, como o aumento extraordinário das pensões. “Conseguimos também colocar no debate político a precariedade no Estado e avançar com um programa para combater essa precariedade. E não perdemos de vista o aumento do salário mínimo para os 600 euros o mais depressa possível, garantindo um aumento para 557 euros a 1 de janeiro de 2017”.

Apesar destas conquistas, “há muito que fica por fazer”, acrescentou Pedro Filipe Soares, dando como exemplos a alteração dos escalões do IRS para introduzir mais justiça e progressividade neste imposto, a contratação coletiva e garantia da defesa do posto de trabalho. “É possível ter mais investimento nos serviços públicos. Nós não retiramos a necessidade da restruturação da dívida para haver folga para investir quer na economia quer nos serviços públicos”, defendeu.

“Este é um governo que tem políticas diferentes do que se fosse um governo maioritário do PS. Não estava previsto no programa do PS um aumento extraordinário das pensões nem uma redução tão rápida da sobretaxa. Segundo esse programa eleitoral, os cortes nos salários da função pública ainda estariam em vigor hoje”, recordo o líder parlamentar bloquista.

Para o Bloco de Esquerda, o fator determinante neste balanço do primeiro ano de governo continua a ser a força que a esquerda alcançou nas urnas em 2015. “O próprio debate político é influenciado pela força que a esquerda teve neste processo pós-eleitoral, há maior capacidade de diálogo mas também maior capacidade de influência. Se o Bloco tiver mais força, mais capacidade terá de influenciar o debate político e de garantir escolhas que protejam a vida das pessoas”.

Quanto ao futuro desta solução governativa, Pedro Filipe Soares não vê razões para não durar toda a legislatura, “enquanto estiver a cumprir o objetivo de melhorar a vida das pessoas e de recuperação de rendimentos”. Mas aponta os desafios que o governo vai enfrentar no próximo período por causa das regras europeias que “asfixiam a economia do país e os direitos das pessoas”, matéria em que considera que o PS “é mais titubeante”.

“Temos de garantir que a pressão e a chantagem europeia não coloquem em causa a reivindicação dos direitos e rendimentos das pessoas”, concluiu.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política
(...)