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Congresso Mundial da Diabetes está a decorrer em Lisboa

Milhares de profissionais, investigadores e pessoas com diabetes juntam-se em Lisboa até esta quinta-feira. “A diabetes tem que deixar de ser vista isoladamente e passar a integrar os tratamentos das outras doenças”, afirma José Manuel Boavida.
Imagem do Congresso. Foto Federação Internacional de Diabetes - Europa/Twitter

Organizado pela Federação Internacional da Diabetes (IDF), em parceria com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), o Congresso Mundial da Diabetes decorre de 5 a 8 de dezembro, no Centro de Congressos de Lisboa na Junqueira. As sessões podem também ser acompanhadas online. 

Este evento é organizado de dois em dois anos. O primeiro congresso decorreu em Leiden, na Holanda, em 1952 e o último em Busan, na Coreia do Sul, em 2019. Esta edição conta com participantes de mais de 180 países, entre os quais se encontram médicos, enfermeiros, educadores e outros profissionais de saúde, assim como representantes governamentais, representantes da sociedade civil e de associações, bem como pessoas com diabetes. 

 

Em entrevista à Health News, o médico José Manuel Boavida, dirigente da APDP, afirmou que atualmente “o grande âmago da questão é evitar a diminuição da esperança de vida dos doentes” com diabetes, lembrando que esta é uma doença que “mina outras doenças, seja ao nível do cancro, das doenças infeciosas ou das doenças cardiovasculares”. 

“Grande parte da mortalidade na Covid-19 foi pela diabetes e a mortalidade nas doenças cardíacas é, em grande parte, determinada pela diabetes. Cerca de 70% das pessoas com insuficiência cardíaca têm diabetes. Portanto, a diabetes tem que deixar de ser vista isoladamente e passar a integrar os tratamentos das outras doenças. Os oncologistas, cardiologistas e nefrologistas têm de ter diabetologistas a trabalhar com eles. No fundo, é esta visão global da diabetes, enquanto doença sistémica, doença que ataca todos os órgãos do corpo – desde o cérebro aos pés – que é necessário perceber”, afirmou o clínico, acrescentando que “no congresso, esta visão global da diabetes é analisada do ponto de vista médico, científico e também da organização dos cuidados”. 

José Manuel Boavida considera que “é preciso começar a intervir em fases mais precoces”. Lembrou que atualmente “considera-se que a pré-diabetes já é um estado patológico que tem implicações quer ao nível cardíaco, quer cerebral”, acrescentando que “se juntarmos os 10 a 15% da população que tem diabetes diagnosticada, com os 20% que têm pré-diabetes, estamos a falar em tratar 30% da população. Estes valores representam um desafio para as sociedades e não é por os governos meterem a cabeça na areia que o problema desaparece.”

“Este é, claramente, um dos problemas principais da Saúde e é isso que vai ser discutido neste congresso”, concluiu José Manuel Boavida.

A inovação no tratamento da diabetes

Nesta entrevista, José Manuel Boavida deu também nota de que na semana passada “foi aprovado nos Estados Unidos o primeiro medicamento para prevenir a diabetes tipo 1”, o que considera ser “uma revolução” no tratamento desta doença. 

“O passo das bombas de insulina é muito importante porque é a tecnologia que já temos, mas o passo seguinte será o tratamento imunológico da diabetes tipo 1” afirmou o médico, considerando que “poderemos chegar a um sistema em que as pessoas possam fazer uma injeção trimestral ou mensal e, assim, evitar todo o martírio que é o controlo da glicémia e da administração de insulina. Penso que isso nos aproximará cada vez mais, não digo da cura da diabetes, mas da manutenção num sistema em que as pessoas vivem como se não tivessem diabetes.”

Atualmente existirão em Portugal cerca de 30 mil pessoas com diabetes tipo 1, das quais cinco mil são crianças e jovens. 

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