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Conferência para debater programa económico de resposta à crise

Depois de reunião com 15 economistas, Catarina Martins anunciou o evento online "Vencer a Crise", que contará com noventa especialistas e ativistas. "A receita da austeridade nem é inevitável nem é a resposta à crise", salientou a coordenadora bloquista.
Catarina Martins afirmou em conferência de imprensa online: "A receita da austeridade nem é inevitável nem é a resposta à crise"
Catarina Martins afirmou em conferência de imprensa online: "A receita da austeridade nem é inevitável nem é a resposta à crise"

Na sequência de uma reunião com quinze economistas, para debater um programa económico de resposta à crise, Catarina Martins declara que “o país tem duas urgências: a resposta imediata à crise e a recuperação da economia e do país”. Assumindo a responsabilidade de “vencer a crise”, a coordenadora bloquista anuncia que o Bloco de Esquerda vai dedicar a semana entre o 25 de Abril e o 1º de Maio a ouvir especialistas e ativistas dos mais variados setores.

A coordenadora do Bloco assinala que nas últimas semanas tem havido declarações públicas de várias pessoas sobre a inevitabilidade de uma crise económica e de “medidas inevitáveis de austeridade”. E, contrapôs dois desafios a quem vaticina esse cenário de austeridade: “agir já com políticas públicas fortes para que a recessão não se torne inevitável, e agir diminuindo as desigualdades”.

Catarina Martins apontou três prioridades do Bloco de Esquerda para o debate do país de medidas concretas para responder à crise. Sendo a primeira delas, uma proposta social e ecológica, “uma política de investimento que, ao contrário do que aconteceu na crise de 2011, garanta que saímos da crise com mais emprego e não com menos emprego, com menos emissões e não com mais emissões”. Defendendo que é essa a via para relançar a economia sem repetir os erros do passado.

Em segundo lugar, “transformar o emprego precário em emprego estável, porque a vaga de despedimentos das últimas semanas provou que a precariedade é um modelo inviável”. Uma proposta que considera ser a única via para dar segurança às pessoas na recuperação económica.

A terceira prioridade defendida pelo Bloco é “usar os meios disponíveis para reforçar os serviços públicos e, em particular, o Serviço Nacional de Saúde”. Exigindo que além dos aplausos ou proclamações de importância do Serviço Nacional de Saúde, sejam tomadas medidas efetivas para o seu reforço: “o SNS e os seus profissionais têm de sair desta crise com o reconhecimento e com os meios que lhes faltam há tantos anos”.

Catarina Martins sublinhou que "a receita da austeridade nem é inevitável nem é a resposta à crise, o seu efeito é sempre e só a desvalorização de salários, aumentando desigualdades e fragilizando mais a economia".

Para apresentar alternativas, a conferência online intitulada Vencer a Crise junta cerca de noventa oradores, especialistas reconhecidos nas suas áreas de intervenção, que irão partilhar “lições da crise e propostas para a vencer”.

A conferência inicia-se segunda-feira, 27 de abril, e prolonga-se por terça e quarta-feira, sendo transmitida no portal Esquerda.net e nas redes sociais. A conferência está estruturada em sete painéis: Europa e mundo, economia e ambiente, saúde, educação, ciência e cultura, trabalho e precariedade, justiça e direitos.

A coordenadora do Bloco lançou, por fim, o repto: “convidamos todas as pessoas que não se resignam à crise e à austeridade, que se empenham em alternativas à esquerda, a juntarem-se a este debate. É nossa convicção de que há, em Portugal, não só a capacidade para uma resposta solidária à crise como uma maioria social empenhada nessa resposta”.

As propostas já apresentadas pelo Bloco

Na mesma conferência de impresna, a coordenadora bloquista elencou também as várias propostas que o Bloco já apresentou como resposta imediata à crise,  nomeadamente o reforço da capacidade do Serviço Nacional de Saúde, a requisição dos meios privados que possam reforçar essa resposta, e medidas especiais para lares de idosos e populações mais vulneráveis.

Destacou a proposta de subsídio de risco para os trabalhadores da linha da frente do combate à pandemia e de proteção dos trabalhadores que fazem parte de grupos de risco. Referiu também a proibição de despedimentos, a prorrogação dos contratos precários, e a reintegração dos trabalhadores despedidos durante a crise como condição para os apoios públicos às empresas.

Catarina Martins referiu ainda as medidas propostas para mais apoio a quem ficou sem trabalho e rendimentos, incluindo trabalhadores independentes, sócios-gerentes de micro e pequenas empresas, e a quem tem situações de particular precariedade como as trabalhadoras domésticas ou os trabalhadores indocumentados. Medidas de reforço do apoio às famílias e de garantia do acesso a bens fundamentais. E medidas de mais apoio às empresas para garantir salário. Bem como medidas de sensatez económica que, sendo de urgência começam já a preparar a recuperação. Entre as medidas de sensatez económica, nomeou a proibição do abuso das comissões bancárias e a proibição de distribuição de dividendos das grandes empresas.

Reforçou ainda que estas medidas têm sido defendidas pelo Bloco de Esquerda quer na Assembleia da República quer a nível autárquico. A nível europeu, o Bloco apresentou uma proposta para o fundo de recuperação da União Europeia, visando “uma resposta europeia solidária, de longo prazo, que não aumente o peso do serviço da dívida pública, e dê capacidade aos Estados para investimento e políticas contracíclicas de resposta à crise”. Proposta essa que, refere Catarina Martins, não é apenas sobre a resposta imediata, mas também uma proposta sobre a recuperação do país.

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