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Condições de migrantes na Bósnia são “inaceitáveis”, diz União Europeia

Serão cerca de mil as pessoas que vivem à chuva e sem proteção para as temperaturas abaixo de zero em plena pandemia, depois do acampamento de migrantes onde foram colocados ter sido destruído por um incêndio. “As vidas e os direitos fundamentais de várias centenas de pessoas estão em sério risco”, diz UE.
Migrantes aquecem-se numa fogueira durante um dia de inverno no campo de refugiados de Lipa nos arredores de Bihac, Bósnia e Herzegovina, a 1 de janeiro de 2021. Migrantes aquecem-se numa fogueira durante um dia de inverno no campo de refugiados de Lipa nos arredores de Bihac, Bósnia e Herzegovina, a 1 de janeiro de 2021.
Migrantes aquecem-se numa fogueira durante um dia de inverno no campo de refugiados de Lipa nos arredores de Bihac, Bósnia e Herzegovina, a 1 de janeiro de 2021. Fotografia de Fehim Demir/EPA/Lusa.

O acampamento de Lipa, situação na região Bósnia com o mesmo nome, foi inaugurado em abril de 2020 pelas equipas da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Sem nunca ter recebido ligação à rede elétrica ou água - que a OIM critica por ser algo com "motivações políticas" - e sem capacidade de abrigar aquelas pessoas no inverno, as equipas responsáveis abandonaram o espaço a 23 de dezembro do ano passado.

No mesmo dia o acampamento foi destruído por um incêndio que se presume, de acordo com fonte policial, ter sido iniciado em protesto contra a falta de condições naquele espaço.

Para Johann Sattler, representante especial da União Europeia (UE) na Bósnia, "a situação é absolutamente inaceitável. As vidas e os direitos fundamentais de várias centenas de pessoas estão em sério risco”.

A Comissão Europeia, que financia o funcionamento de vários centros de acolhimento de migrantes na Bósnia, e a OIM já pediram a abertura de um novo centro na cidade de Bihac, mas as autoridades municipais opõem-se devido à pressão dos moradores da zona, explicou a Lusa.

O Governo federal da Bósnia será também a favor da reabertura do centro de acolhimento, que tinha capacidade de acolher 2 mil pessoas, mas de acordo com o regime descentralizado do país, a decisão cabe ao poder local.

Para tentar amenizar a crise, o Governo enviou o exército, que está a montar tendas no local do acampamento incendiado, mas os migrantes recusam-se a usá-las por não terem aquecimento ou água corrente.

Uma tentativa, a 30 de dezembro, de realojar os migrantes num quartel no sul do país fracassou por falta de um acordo político.

Em protesto, os migrantes recusaram, nos dois primeiros dias de 2021, a única refeição distribuída por uma organização humanitária local e pela Cruz Vermelha, disse o responsável desta última organização, Selam Midzic, à televisão estatal (FTV).

O país acolhe neste momento cerca de 8.500 migrantes que pretendem chegar à Europa Ocidental. Do número total, cerca de 6.000 vivem em centros de acolhimento, enquanto entre 2.500 e 3.000 estão desabrigados, de acordo com a OIM.

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