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Condenação internacional do assassinato da líder indígena Berta Cáceres

Campanha internacional pede a governo hondurenho que investigue crime e “acabe a perseguição e criminalização de defensores dos direitos humanos”, apelando ainda a “mobilização cidadã e denúncia imediata junto das embaixadas e consulados das Honduras de todo o mundo”. Em comunicado, Partido da Esquerda Europeia denuncia assassinato e exige fim da impunidade.

Na declaração divulgada no site do Transnational Institute, é referido que “Berta Cáceres, líder indígena, representante durante mais de vinte anos do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras, foi assassinada na madrugada de 3 de março enquanto dormia na sua casa em La Esperanza, Intibucá, a 188km de Tegucigalpa, por homens armados “desconhecidos”.

No documento, Berta é lembrada como “uma férrea defensora dos direitos do movimento camponês e indígena hondurenho” e como uma “destacada e inspiradora lutadora social, a nível regional e continental, em defesa da justiça social e ambiental, em particular na resistência face aos megaprojetos mineiros e hidroelétricos”.

A líder indígena “lutou pela saúde, pela terra e contra o patriarcado e a violência”, lê-se no texto, que lembra o seu papel na oposição ao golpe de estado de 28 de junho de 2009.

A declaração assinala ainda que “Berta Cáceres era mãe de família e tinha medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pelo que devia gozar de proteção especial por parte do governo hondurenho”.

“Mas Berta foi assassinada por um Estado que resguarda os interesses do capital local, das empresas transnacionais que quiseram apropriar-se dos territórios, dos bens comuns; a sua luta a favor da vida, dos mais necessitados, levou a que fosse, em várias ocasiões, julgada, perseguida, ameaçada”, acrescenta.

Lembrando que, segundo a ONG inglesa Global Witness 111 ativistas ambientalistas foram assassinadas nas Honduras entre 2002 e 2014 e que, de acordo com a ONG hondurenha ACI-PARTICIPA (Associação para a participação cidadã nas Honduras), 90% dos assassinatos e abusos dos direitos humanos continuam por resolver, é exigido no documento que o governo das Honduras “ponha fim à impunidade e investigue o assassinato de Berta Cáceres e de todas e todos as companheiras e companheiros que lutaram pela justiça social e pelo meio ambiente” e que “acabe a perseguição e criminalização das que defendem os direitos humanos e que se cumpram as medidas cautelares de proteção”.

É ainda feito um apelo à “mobilização cidadã e à denúncia imediata junto das embaixadas e consulados das Honduras de todo o mundo, para mostrar o nosso repúdio perante este crime e a nossa exigência de justiça”.

Partido da Esquerda Europeia denuncia assassinato e exige fim da impunidade nas Honduras

Em comunicado, o Partido da Esquerda Europeia “expressa a sua mais enérgica condenação pelo assassinato de Berta Cáceres”, sublinhando que “este abominável e cobarde crime é uma tentativa para fazer calar a voz de uma militante decidida e combativa que há vários anos se dedicava à defesa dos direitos das comunidades indígenas e à defesa do meio ambiente”.

“O Partido da Esquerda Europeia rende homenagem à lutadora social e dirigente exemplar que foi Berta Cáceres, une-se à dor das comunidades a quem expressa toda a sua solidariedade. Com elas, o PIE exige o fim da impunidade e que se faça justiça contra os autores materiais e intelectuais deste crime”, lê-se no documento.

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