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Concentração em Lisboa voltou a exigir fim do massacre na Palestina

O Martim Moniz, em Lisboa, foi palco de uma iniciativa pelo cessar-fogo definitivo na faixa de Gaza, pelo fim do apartheid e a libertação da Palestina. Mariana Mortágua afirmou que o Governo devia ter apoiado desde o primeiro momento as posições de Guterres.
Foto de Rafael Medeiros.

No Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, a CGTP, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente (MPPM), o Projecto Ruído e a comunidade palestiniana promoveram uma concentração no Martim Moniz pela “Paz no Médio Oriente - Palestina Independente”.


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A iniciativa contou com música, uma projeção audiovisual, momentos artísticos, intervenções e um die-in, com os manifestantes a deitarem-se num amplo espaço coberto com plástico, muitos com lençóis brancos salpicados de vermelho, numa alusão às "vítimas do genocídio" na Faixa de Gaza.

Centenas de pessoas entoaram palavras de ordem como “Palestina vencerá!” e exibiram bandeiras e lenços palestinianos, cartazes, bem como faixas com frases pelo fim do genocídio e pela autodeterminação da Palestina: "Fim à agressão. Paz no Médio Oriente: Reconhecer os direitos nacionais da Palestina", "Palestina vencerá", "Não ao nazi-sionismo, 75 anos de genocídio. Palestina Livre".

É preciso obrigar Israel a a fazer o cessar-fogo”

Mariana Mortágua participou nesta concentração. Em declarações aos jornalistas, repudiou o massacre levado a cabo contra o povo de Gaza, que já resultou em 15 mil mortos, a maior parte crianças. “Gaza é o maior cemitério de crianças do mundo, e hoje vive uma crise humanitária”, frisou a coordenadora do Bloco, assinalando que podem existir ainda mais mortes por doença em Gaza, devido ao encerramento das fronteiras, porque não existe acesso à água, porque os hospitais foram bombardeados, do que aquelas que os ataques de Israel já causaram.

“Temos de fazer alguma coisa. Esta pausa humanitária veio tarde e não basta. É preciso exigir o cessar fogo”, vincou Mariana Mortágua.

A dirigente bloquista realçou que “não podemos continuar a permitir que, sob o olhar cúmplice da comunidade internacional e a hipocrisia de tantos Estados, milhares de crianças, mulheres e homens inocentes continuem a morrer na Faixa de Gaza”.

“Não desistimos de afirmar o direito da Palestina à autodeterminação, não desistimos de afirmar a necessidade de um cessar fogo e de denunciar os crimes de guerra levados a cabo por Israel”, referiu Mariana Mortágua.

“Se os líderes internacionais quisessem ouvir as palavras de António Guterres este cessar fogo teria acontecido há muito tempo, mas os líderes mundiais não ouvem as Nações Unidas. A Organização Mundial de Saúde está a dizer há meses que o que se está a passar em Gaza é um massacre, que irão morrer milhares de pessoas por falta de acesso a cuidados médicos, água e alimentação”, continuou a coordenadora do Bloco.

Mariana Mortágua enfatizou que “as Nações Unidas têm de ser respeitadas”. “Não bastam manifestações públicas de solidariedade e declarações de boa vontade. É preciso obrigar Israel a a fazer o cessar-fogo e exige-se que a comunidade internacional tome perante Israel a mesma ação que tomou perante a África do Sul durante o apartheid”, o que passa, nomeadamente, por chamar os diplomatas a Portugal para “fazer refletir a vontade do Estado português”, e impor um boicote e sanções a Israel.

De acordo com a dirigente bloquista, “as posições têm de ter consequências”, sendo que “o Governo português devia ter apoiado desde o primeiro momento as posições de António Guterres, em vez de ter posições dúbias”. Mariana Mortágua considera “inaceitável” que o executivo socialista afirme que só reconhecerá o Estado da Palestina se a União Europeia o fizer.

Portugal tem de estar “do lado da paz, dos direitos humanos e do cumprimento da lei internacional”, apontou.

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