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"Comunidade internacional não pode ficar indiferente perante este crime de guerra"

Na sequência do bombardeamento a um hospital de Gaza que matou centenas de civis, Mariana Mortágua diz que "é tempo de juntar vozes na exigência de um cessar fogo imediato que trave o genocídio do povo da Palestina".
Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Foto Ana Mendes.

A coordenadora do Bloco de Esquerda reagiu ao bombardeamento que destruiu o hospital de Al-Ahli, no norte de Gaza, onde milhares de pessoas eram atendidas e se refugiavam, pensando estar num local seguro.

"Israel atingiu um hospital em Gaza. Um ato horrível, que tirou a vida a profissionais de saúde, doentes de todas as idades. Mais de 500 mortes. A comunidade internacional não pode ficar indiferente perante este crime de guerra. Nada justifica estas atrocidades. É tempo de juntar vozes na exigência de um cessar fogo imediato que trave o genocídio do povo da Palestina", afirmou Mariana Mortágua nas redes sociais.

Tal como sucedeu no caso do assassinato da jornalista palestiniano-americana Shireen Abu Akleh em maio do ano passado, o exército israelita começou por negar a responsabilidade do ataque mortífero, atribuindo-o a um rocket disparado da Jihad Islâmica que teria fracassado.

Pouco antes de o hospital ter sido bombardeado ao início da noite de terça-feira, o primeiro-ministro israelita afirmava nas redes sociais que "esta é uma luta entre os filhos da luz e os filhos da escuridão, entre a humanidade e a lei da selva". Netanyahu  apagou a publicação quando o choque provocado pelo massacre no hospital se multiplicava nas redes sociais.

Também o porta-voz digital do governo israelita, Hananya Naftali, começou por publicar nas redes a notícia de que a força aérea tinha atacado uma base do Hamas num hospital, matando muitos terroristas. Minutos depois apagou a publicação e substituiu-a por outra a acusar o Hamas de estar por detrás do ataque.

Lembrando esta publicação do "influencer digital" do executivo de Netanyahu, o embaixador da Palestina na ONU Riyad Mansour, acusou o primeiro-ministro israelita de mentir ao tentar desviar as culpas do bombardeamento para os grupos islâmicos, "Agora mudam a história para culpar os palestinianos", afirmou o diplomata, recordando também as declarações de um porta-voz do exército a dizer que os hospitais do norte de Gaza eram um alvo e deviam ser evacuados.

A Organização Mundial de Saúde confirmou que o hospital Árabe Al-Ahli era um dos vinte hospitais que recebeu ordens de evacuação dos militares israelitas. "A ordem de evacuação foi impossível de executar, dada a atual insegurança, o estado crítico de muitos doentes e a falta de ambulâncias, de pessoal, de capacidade de camas do sistema de saúde e de abrigos alternativos para as pessoas deslocadas", explica a OMS.

O ataque ocorreu na véspera da visita do presidente dos EUA, que afirmou estar "indignado e profundamente triste" com o massacre, embora na curta declaração que fez não atribua a responsabilidade a ninguém. A sua agenda no Médio Oriente ficou subitamente mais curta, depois de o rei jordano Abdullah ter cancelado a visita de Biden e o encontro com Mahmoud Abbas e o presidente egípcio al-Sisi.

O secretário-geral da ONU condenou o ataque ao hospital e lembrou que os hospitais e o pessoal médico são protegidos pela lei internacional. António Guterres diz ter ficado "horrorizado com a morte de centenas de civis palestinianos" no hospital gerido pela Igreja Anglicana.
 

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