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“Comissão Europeia não tem que sancionar, tem sim de ressarcir o nosso país”

A porta-voz do Bloco afirmou nesta sexta-feira que Portugal não deve ser sancionado, deve sim ser “ressarcido pelo dano” provocado pelas políticas impostas a Portugal. Catarina Martins disse também que o Bloco quer conhecer as contas da CGD.
Catarina Martins visitou a Feira da Agricultura em Santarém, nesta sexta-feira, 10 de junho - Foto de Paulo Cunha/Lusa

Catarina Martins visitou nesta sexta-feira, 10 de junho, a Feira da Agricultura em Santarém.

Falando à comunicação social, a porta-voz do Bloco afirmou: “No momento em que há tanta chantagem sobre possíveis sanções sobre o nosso país pela Comissão Europeia (CE) é o momento também de dizer que em Portugal a política de austeridade já foi sancionada nas urnas pelo povo português que é quem pode ou não sancionar”.

Catarina Martins sublinhou que o que o país tem de discutir não é se a CE vai ou não aplicar sanções a Portugal, mas “como é que se vai reparar a vida de tanta gente que sofreu uma política de austeridade que foi feita em nome de consolidar as contas públicas e ao fim e ao cabo só trouxe mais problemas como a própria Comissão acaba por reconhecer”.

“A Comissão Europeia não pode agora dizer que quer sanções para o nosso país pelos resultados desastrosos da própria política que a CE apoiou e que quis. A Comissão Europeia devia estar a pensar como compensar o nosso país, como responder às pessoas que perderam o emprego, perderam salário, perderam a pensão por uma política desastrosa. A Comissão Europeia não tem que sancionar o nosso país, tem sim é de ressarcir o nosso país pelo dano que foi causado”, frisou Catarina Martins.

Bloco quer conhecer as contas da Caixa Geral de Depósitos

Falando sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD), a porta-voz do Bloco apontou que a prioridade “é garantir que há uma recapitalização pública”, o que “não significa concordar com tudo no que diz respeito à CGD ou à forma como está a ser gerida”.

“O Governo terá mais cedo do que tarde explicar exatamente as contas da Caixa, como é que lá chegámos e como é que estamos. As responsabilidades não são deste Governo, bem sabemos que vêm de trás e não só do Governo anterior, mas também de outros antes, mas é bom que seja tudo esclarecido”, afirmou Catarina Martins.

Sobre os salários dos gestores, a porta-voz do Bloco pediu, em primeiro lugar, que não se misture “o que não deve ser misturado”, a capitalização da CGD com os salários dos gestores, alertando que “no discurso sobre a CGD existe uma enorme pressão da direita e da Comissão Europeia, que sempre teve o plano da privatização da Caixa embora tenha sido obrigada a recuar”.

Catarina Martins lembrou que a direita e a CE “mantêm ideologicamente esse programa de que não possa existir uma banca pública” e apontou que “farão tudo contra a ideia da recapitalização pública” da CGD.

“Ou seja, a mesma direita e a mesma CE que viu com tão bons olhos a recapitalização pública de bancos privados quer agora atacar a capitalização pública do banco público. Isto é inaceitável. Portugal precisa de um banco público”, realçou a deputada.

Sobre os salários dos gestores, Catarina Martins afirmou que devem existir “regras bastante apertadas”, recordando que o Bloco, nesta matéria, “não se limita a discordar do Governo” pois tem um projeto na AR sobre a limitação dos salários dos gestores públicos que, “se for aprovado, implica a todos, inclusivamente aos da CGD”.

O povo tem de ter uma palavra”

Questionada sobre o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa desta sexta-feira, Catarina Martins concordou com o papel determinante do povo, quando o país foi posto à prova, e com a crítica às elites.

A porta-voz do Bloco lembrou que foi o povo que reagiu com manifestações contra as imposições da troika, cantando a “Grândola” e “o povo é quem mais ordena” e recordou que foi “a elite económica e o poder político que alternou durante tanto tempo que faz passar a ideia que o país é inviável e que tudo o que resta é discutir se a banca há de ser mandada por capital angolano ou por capital espanhol”.

“Vemos que realmente as elites falharam em muito. É altura de dizer que no nosso país o povo tem de ter uma palavra, temos de ser capazes de decidir sobre os nossos setores estratégicos essenciais e decidir em nome do emprego, em nome da dignidade”, afirmou ainda Catarina Martins, segundo a Lusa.

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