Com aumento de lucros de 70%, Repsol repudia imposto extraordinário

17 de February 2023 - 14:07

Petrolífera espanhola amealhou lucros de 4.251 milhões de euros em 2022, um aumento de 70,1% face ao ano anterior. Presidente executivo da empresa considera “injusto” imposto extraordinário criado pelo governo espanhol.

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Foto Raúl Ortiz de Lejarazu Machin.

De acordo com o comunicado divulgado esta quinta-feira, perto de 64% dos lucros da Repsol, que também está presente em Portugal, tiveram origem na atividade fora de Espanha. A petrolífera espanhola refere que os resultados no ano passado se devem ao aumento do preço dos hidrocarbonetos derivados do petróleo.

Os lucros acumulados de 2021 e 2022 da Repsol ultrapassam os 6.750 milhões de euros. A multinacional sublinha que, ainda assim, não compensaram as perdas do grupo nos anos de 2019 e 2020, superiores a 7.100 milhões de euros.

A Repsol aponta que está a passar por um processo de transformação que implicou um investimento de 4.182 milhões de euros no ano passado, o que representa um aumento de 40% em comparação com 2021. As despesas dizem essencialmente respeito a unidades na Península Ibérica e nos Estados Unidos.

"Para impulsionar o seu perfil multienergético, a Repsol prevê fazer um investimento histórico, de mais de 5.000 milhões de euros, em 2023. Cerca de 35% desses investimentos destinam-se a projetos baixos em carbono", alega a empresa.

A petrolífera argumenta ainda que, no ano passado, "para ajudar os clientes num contexto inflacionista", marcado por um elevado aumento dos preços dos combustíveis, destinou mais de 500 milhões de euros "a descontos adicionais" nos postos de abastecimento espanhóis.

A taxação dos lucros extraordinários que o Governo espanhol aplicará ao setor energético pelos lucros recorde obtidos no ano passado deverá levar a Repsol a pagar cerca de 450 milhões de euros, mas a petrolífera vai contestar em tribunal essa taxa, alegando a sua inconstitucionalidade.

"Considerar extraordinário um lucro que se obtém de um grande esforço de investimento e penalizá-lo face a quem se dedica a importar de outros continentes sem criar um único emprego industrial é, além de injusto, incompreensível e prejudicial para a economia espanhola", afirma o presidente executivo da Repsol no comunicado.

"O debate social sobre os lucros empresariais tem de ser colocado em contexto. As mensagens populistas só servem para dificultar a atividade empresarial, provocar desconfiança nos investidores, reduzir o investimento e a atividade económica, diminuir a receita fiscal e pôr em risco o emprego industrial", acrescenta Josu Jon Imaz.