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Colonos voltam a atacar bairro de Jerusalém para expulsar moradores palestinianos

Os colonos israelitas pretendem despejar várias famílias palestinianas de Sheikh Jarrah em Jerusalém Oriental. A resistência a esta tentativa esteve na base da mais recente onda de mobilizações palestinianas travadas pelos bombardeamentos que vitimaram cerca de 200 pessoas.
Sheikh Jarrah. Foto de ATEF SAFADI/EPA/Lusa.
Sheikh Jarrah. Foto de ATEF SAFADI/EPA/Lusa.

Colonos israelitas voltaram a atacar o bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, de onde pretendem expulsar várias famílias palestinianas. Nos confrontos que se seguiram foram lançadas pedras e outros objetos, resultando em vários feridos. A polícia prendeu quatro pessoas.

O Crescente Vermelho dá conta de 20 palestinianos feridos pela polícia, atingidos por gás pimenta, gás lacrimogéneo e balas de borracha, e que as suas ambulâncias foram atacadas à pedrada por colonos israelitas. As autoridades israelitas também dispararam água de mau cheiro numa das ambulâncias.

Esta ameaça de expulsão foi uma das causas das mais recentes mobilizações palestinianas reprimidas pela polícia, a justificação para o Hamas lançar rockets sobre Israel e que depois se tornou pretexto para o exército ocupante bombardear Gaza, matando cerca de 200 pessoas.

Os colonos israelitas dizem ter direito à terra, colocaram o caso em tribunal e, em outubro, tiveram uma sentença que lhes foi favorável. Os palestinianos, apesar de não confiarem no sistema judicial israelita, recorreram entretanto ao Supremo Tribunal. A Procuradoria suspendeu o processo de despejo em curso.

Sheikh Jarrah é um bairro que foi batizado com o nome do médico pessoal de Saladino. As famílias que os israelitas pretendem expulsar vivem no local desde os anos 1950. Os colonos alegam que compraram a terra onde estes vivem de duas associações judaicas que, por sua vez, as teriam comprado no final do século XIX. Os documentos que apresentam, do tempo do Império Otomano, são colocados em causa pelos palestinianos como tendo sido forjados. Os seus advogados têm trazido a julgamento outros documentos, provenientes dos arquivos Otomanos de Istambul que provam que apenas houve contratos de arrendamento.

Em 1967, Israel ocupou toda a zona de Jerusalém Oriental, ocupação que não é reconhecida internacionalmente. Desde então, o bairro tem sido sujeito a inúmeras pressões por parte de colonos que pretendem substituir a população palestiniana aí residente. E desde 2001 que famílias palestinianas foram sendo expulsas ao abrigo de casos judiciais deste tipo.

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