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Colômbia: presidente e guerrilha prometem a paz, apesar da derrota

Num referendo com mais de 60% de abstenção, o eleitorado colombiano dividiu-se ao meio e o Não ao acordo de paz venceu com 50.2%.
O "Não" venceu no referendo ao acordo de paz na Colômbia.

Foi um resultado surpreendente e que nenhuma sondagem previu: venceu o “Não” ao acordo de paz negociado nos últimos quatro anos para pôr fim a um conflito que dura há mais de meio século. O referendo ficou marcado pela elevada abstenção e também pela divisão clara do eleitorado, com a margem de vitória a situar-se pouco acima dos 60 mil votos em cerca de 13 milhões de votantes. Nas zonas de maior intensidade do conflito, o “Sim” ao acordo venceu por larga margem, mas nas grandes cidades e zonas rurais mais povoadas foi geralmente o “Não” a levar a melhor.

A campanha levada a cabo pelo ex-presidente Alvaro Uribe, atual líder da oposição, contra o ingresso dos ex-guerrilheiros na cena política e a amnistia para os que admitissem os seus crimes, acabou por dar frutos e mobilizar um setor importante da sociedade. O grande derrotado é o presidente Jose Manuel Santos, que convocou o referendo por sua iniciativa, uma vez que nada o obrigava a fazê-lo.

“Não vou desistir. Continuarei a procurar a paz até ao último dia da minha presidência”, afirmou o presidente colombiano após o anúncio dos resultados, garantindo que o atual cessar fogo é para manter e que irá ouvir de imediato as forças políticas – em particular as que apoiaram o "Não" – para encontrar  uma saída para o processo.

Por seu lado, o líder das FARC lamentou que “o poder destrutivo dos que semeiam ódio e rancor tenha influenciado na opinião da população colombiana" e deixou uma mensagem ao país desde a capital cubana, onde se desenrolou o processo negocial: ”Ao povo colombiano que sonha com a paz, que conte conosco. A paz triunfará”.

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