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Colômbia elege adversário do acordo de paz para Presidente

Candidato da direita venceu a segunda volta das presidenciais colombianas com 54%. Vitória de Ivan Duque pode pôr em risco o acordo de paz assinado com a guerrilha das FARC.
Ivan Duque em campanha eleitoral. Foto ivanduque.com

A oposição ao acordo de paz foi um dos temas fortes da campanha presidencial na Colômbia e, tal como no referendo à primeira versão do acordo de 2016 com as FARC, os eleitores voltaram a apoiar um candidato que se manifesta contra a versão depois aprovada pelos deputados. Numa das mensagens da noite eleitoral, Duque prometeu "correções" ao acordo já selado.

Ivan Duque, 42 anos, contou com o apoio da direita e do ex-presidente Alvaro Uribe, que tem liderado a oposição ao acordo de paz. O candidato derrotado nestas presidenciais é o ex-presidente da Câmara de Bogotá, Gustavo Petro, um apoiante do acordo. A diferença entre os dois candidatos nas urnas foi de cerca de dois milhões de votos.

Em reação ao resultado das presidenciais, o líder da antiga guerrilha, Rodrigo Londoño — mais conhecido pelo nome de guerra Timochenko — deu os parabéns ao vencedor e lembrou que “vivemos as eleições mais calmas das últimas décadas”, o que prova que “o processo de paz deu frutos”.  

Outro tema de campanha foi a crise fronteiriça com a vizinha Venezuela, de onde têm chegado à Colômbia milhares de imigrantes nos últimos meses. A campanha de Duque procurou colar Petro ao chavismo e os observadores dizem que a estratégia resultou no dia de votar, em particular nas regiões de fronteira.

Apesar das armas da guerrilha da FARC estarem mudas, isso não quer dizer que a violência tenha desaparecido da sociedade colombiana. Desde 2016, foram assassinados 282 líderes comunitários e defensores dos direitos humanos no país, na esmagadora maioria pela mão de mercenários deslocando-se em motorizadas. As suspeitas sobre os mandantes recaem sobre narcotraficantes e paramilitares de extrema-direita.

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