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Coletes amarelos regressam aos protestos em França

A capital francesa volta a ser o centro dos protestos, mas há bloqueios de estradas em todo o país. Manifestantes não estão satisfeitos com o recuo do governo e exigem medidas fortes contra as desigualdades.
Manifestantes em Paris imitam os estudantes liceais obrigados a ajoelharem-se pela polícia com as mãos em cima da cabeça. Fotografia de Guillaume Tricard/Twitter

Ao final da manhã de sábado, milhares de manifestantes concentravam-se em vários pontos de Paris, uma cidade sitiada com 8 mil polícias nas ruas, comércio e monumentos encerrados, lojas entaipadas e protegidas por seguranças privados. Também noutras cidades francesas, grupos de coletes amarelos bloqueiam as saídas de postos de combustíveis, hipermercados e centros comerciais.

O Ministério do Interior prevê que o grau de violência seja “pelo menos igual” ao da manifestação do passado sábado, que terminou com confrontos com a polícia e dezenas de feridos. Por volta do meio dia (hora local), a polícia já tinha feito mais detenções do que em toda a manifestação de 1 de dezembro. Nos momentos de maior tensão, a polícia tem lançado gás lacrimogéneo e balas de borracha contra os manifestantes que bloqueiam várias artérias de Paris. Mas por entre os vários cortejos também há quem se manifeste em clima de festa.

O protesto dos coletes amarelos coincide com a mobilização da Marcha Internacional do Clima, e em algumas cidades francesas os dois cortejos acabaram mesmo por se juntar.

Em várias cidades, os manifestantes assinalaram também a sua solidariedade com os estudantes liceais humilhados pela polícia, ajoelhando-se em frente à sede do município com as mãos por cima da cabeça.

O recuo de Macron na questão do aumento da taxa dos combustíveis não serviu para travar um movimento que tem ganho força em todo o país, com reivindicações centradas na luta contra as desigualdades e o aumento do custo de vida. A descida do preço das rendas, o aumento das pensões e do salário mínimo e a redução da idade da reforma são agora temas comuns na agenda dos coletes amarelos, que reivindicam também a introdução de referendos para decidir sobre matérias polícias.

O movimento identifica a presidência de Macron como um “governo dos ricos”, que faz aprovar borlas fiscais para os mais abastados, enquanto os que menos têm veem a sua vida piorar.

Ao longo do dia, as manifestações em Paris, mas também outras cidades, foram vigiadas de perto e duramente reprimidas pela polícia, que às 18h locais anunciou ter detido mais de 700 pessoas em todo o país. Na capital francesa há notícias de vários feridos, entre os quais jornalistas atingidos por balas de borracha da polícia.

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