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Colapso da British Steel: Labour quer nacionalização

A segunda maior empresa metalúrgica britânica entrou em insolvência. Ficam em causa 5000 postos de trabalho diretos e 20000 indiretos. Os sindicatos do setor e o Labour defendem agora a nacionalização. A British Steel pertence a um fundo de investimentos com um vasto histórico em falências.
Foto de Jean-Pol Grandmont/wikicommons

O grupo de investimentos Greybull Capital, que em 2016 comprou a British Steel por uma libra à empresa indiana Tata Steel, informou na quarta-feira que esta entrou em insolvência depois de terem falhado as negociações com o governo britânico.

A Greybull Capital requeria um empréstimo de 30 milhões de libras que o governo negou poder atribuir ao abrigo das leis comerciais. Greg Clark, secretário de Estado dos Negócios, Energia e Estratégia Industrial, assegurou que o governo “trabalhou duramente com a British Steel, com os proprietários da Greybull Capital e vários bancos para explorar todas as opções para encontrar uma solução”. Recordou que ainda este mês o governo tinha atribuído 120 milhões de libras à empresa destinados a pagar os custos das suas emissões para o meio ambiente mas sublinhou que não pode conceder os empréstimos ou avais pedidos pela empresa.

A empresa vai agora ficar a ser gerida temporariamente por um gestor estatal que assegura o fornecimento aos clientes e os empregos. Face ao futuro incerto, os sindicatos exigem a nacionalização da empresa de forma a salvar os cinco mil empregos diretos e 20 mil no resto da cadeia de produção.

Steve Turner, sub-secretário-geral do sindicato Unite, pensa que esta é a única forma de “evitar uma catástrofe industrial e económica”. Ao mesmo tempo, exige que a proprietária “preste contas da sua gestão”. Tim Roache, do sindicato GMB, classificou por sua vez as notícias como “devastadoras” atacando “os sucessivos governos” por não tere “cumprido a promessa de proteger o orgulhoso legado industrial” britânico.

O líder do Partido Trabalhista reagiu imediatamente à notícia considerando que “o colapso da British Steel seria devastador para centenas de empregos em Scunthorpe, tal como na cadeia de abastecimento mais alargada”. Jeremy Corbyn exigiu a nacionalização da British Steel de forma a “assegurar a longo termo o futuro dos trabalhadores”, proposta que o governo de Theresa May recusa.

A Greybull Capital a levar empresas ao fundo

Para justificar o colapso da metalurgia, avançam-se causas conjunturais como o valor da libra nos mercados, uma baixa das encomendas e os danos colaterais das incertezas provocadas pelo Brexit e da guerra comercial EUA/China.

Mas as desconfianças para com a Greybull Capital, fundo nascido em 2010 e especializado em entrar em empresas com problemas e gerir planos de reestruturação, não são alheias a este desfecho. O governo britânico não quer financiar mais a British Steel porque teme que o dinheiro investido vá parar ao fundo de investimentos. A Greybull tem os seus empréstimos assegurados pelos bens da British Steel.

O historial de falências deste fundo pertencente a Marc Meyohas é famoso. Por exemplo, em 2017 tinha estado envolvido no descalabro repentino da Monarch, uma companhia aérea que deixou 100 mil passageiros sem viagens, tendo custado 60 milhões ao estado britânico. Em 2012 tinha sido a vez da Comet, uma empresa de eletrónica com sete mil trabalhadores comprada por duas libras. Também em 2012 a Rileys, empresa que vendia material como mesas de snooker e detinha bares desportivos, foi comprada. Entrou em insolvência em 2014. Em 2015 foram as lojas MyLocal a ser compradas, negócio que afundou num ano fechando 90 lojas e despedindo 1200 trabalhadores.

Contudo, a sua entrada na British Steel foi apresentada como se, desta vez, a história fosse diferente. Acompanhada por um investimento de 400 milhões de libras, a entrada de capital fez com que no ano seguinte houvesse imediatamente um lucro de 47 milhões. O futuro não se revelou afinal tão risonho quanto esse impulso inicial. Logo a seguir, em 2018, a British cortou cerca de 400 empregos e a sua tendência para o declínio acentuou-se.

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