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CNE: "A escola está a passar por uma grande transformação"

Numa entrevista à Rádio Renascença, a presidente do Conselho Nacional de Educação alerta que faltam professores e que é necessário captar alunos para as escolas superiores de educação do Interior do país.
Escola Primária | Foto de Paula Nunes - Arquivo esquerda.net

Maria Emília Brederode Santos, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), numa entrevista à Rádio Renascença, abordou os desafios que a escola enfrenta, sobretudo ao nível da falta de profissionais, não só professores, mas também técnicos informáticos.

Para a presidente do CNE, “a escola está a passar por uma grande transformação, isso verifica-se por uma série de medidas legislativas e práticas, que foram adotadas pelas escolas, mas talvez isso ainda não se sinta na sociedade”.

A falta de professores é um dos problemas mais visíveis na atualidade e a presidente do CNE diz que “é preciso repensar um bocadinho a função do professor", uma vez que, "por um lado há uma enorme exigência em relação aos professores e por outro lado uma tristeza e um certo desgosto, um descontentamento, a sensação de que não são suficientemente valorizados”.

Esta valorização, segundo Maria Emília Brederode Santos, passa pelo reconhecimento “na carreira do professor, mas também ao nível da formação e não é só formar para ter mais professores, mas pensar que novas funções é que o professor tem que desempenhar”.

A diferença entre o litoral e o interior é visível quando falamos da falta de professores, pois "constatamos que as Escolas Superiores de Educação do litoral encheram e até ficaram candidatos de fora, como por exemplo, em Setúbal. Já as Escolas Superiores de Educação do interior, não, como por exemplo, Portalegre”, referiu a dirigente do CNE, acrescentando que “poderia haver um programa de bolsas orientado para as instituições do interior”.

Relativamente a outras questões que preocupam o CNE, temos a atualização sistemática e periódica dos currículos, que não existe, mas devia acontecer pelo menos “de cinco em cinco anos ou de oito em oito”. Na situação atual, “há programas que estão constantemente a ser mudados, mas há outros que não são mudados há mais de vinte anos”.

Para além da falta de professores, também é sentida a falta de técnicos de informática para dar conta da manutenção das centenas de equipamentos informáticos que as escolas receberam durante a pandemia. Brederode Santos salientou o trabalho dos professores de informática, mas “não são em número suficiente e não é justo pedir-lhes essa ajuda”.

Para terminar, a presidente do CNE sublinhou que “fala-se muito da escola como elevador social, mas isso é uma perspetiva muito individual, porque o que se pretende é que seja um elevador social global, para que toda a sociedade seja mais educada, mais culta, mais interessada e mais informada”.

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