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Climáximo contesta “cimeira europeia contra o clima” em Lisboa

O Ministério do Ambiente e uma associação composta pela indústria petrolífera promovem uma conferência de 15 a 17 de abril no hotel Ritz. Ambientalistas contestam participação do governo.

Em comunicado, a Climáximo denuncia a realização da “Cimeira Europeia do Clima”, promovida pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA) no hotel Ritz Four Seasons de Lisboa, entre 15 e 17 de abril. “Percebemos perfeitamente porque é que as empresas mais responsáveis pela crise climática querem organizar encontros com preço de entrada de €670 para o público geral, onde discutiriam como lavar as suas imagens promovendo falsas soluções como o comércio das emissões de carbono”, afirma a Climáximo, acrescentando que a IETA tem como membros empresas como a BP, BNP Paribas, Iberdrola, Naturgy, Petrochina, Repsol, Shell, Total, TransCanada e Vattenfall.

“O mercado de carbono existe há décadas e as emissões não só continuam a aumentar mas estão a também acelerar. No entanto, as empresas envolvidas neste negócio têm feito muito dinheiro – que sempre foi o objetivo principal destes mecanismos”, prossegue a Climáximo, criticando também o objetivo destas empresas de promoverem novos projetos de combustíveis fósseis, como gasodutos, oleodutos, expansão das minas de carvão, ou de furos de petróleo e gás.

“As infraestruturas já existentes são mais que suficientes para ultrapassar 2ºC de aquecimento global”, denunciam os ambientalistas, acusando estas empresas de quererem “iniciar novos projetos de combustíveis fósseis para continuarem a perpetuar o seu lucro à custa do clima, que é de todos”.

A participação do governo português neste encontro é especialmente visada pela Climáximo, que questiona qual será o papel do Ministério do Ambiente neste evento, tendo em conta que “se houvesse políticas compatíveis com a ciência climática, havia uma redução de 2.2 biliões de dólares de investimento nos combustíveis fósseis por causa dos ativos encalhados”.

“Os representantes do Ministério vão explicar à indústria que o seu fim chegou? Vão divulgar que os furos de gás na zona centro estão cancelados? Vão divulgar que desistem da construção do gasoduto de 160 km entre Guarda e Bragança? Também não. Vão apenas garantir que os lucros, e o consequente crime climático, destas empresas continuam a obter financiamento público e a concordância das instituições públicas”, lamenta a Climáximo.

A localidade da Bajouca, para onde está previsto um dos furos de gás a efetuar ainda este ano, irá acolher de 17 a 21 de julho o “Camp in Gás”, um Acampamento de Acção contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática promovido pela Climáximo.

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