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Cimeira para um “Plano B para a Europa” reuniu em Copenhaga

Catarina Martins participou na cimeira que reuniu dirigentes de partidos da esquerda europeia a favor de uma alternativa política à austeridade na Europa. Leia aqui a declaração final.
Cimeira para um Plano B para a Europa
Cimeira para um Plano B para a Europa realizou-se este fim de semana em Copenhaga. Foto Enhedslisten/Twitter

A Cimeira Internacionalista para um Plano B para a Europa reuniu este fim de semana em Copenhaga e tem novo encontro marcado para 11 e 12 de Março, em Roma, onde fará uma contra-cimeira nas comemorações do 6º aniversário do Tratado de Roma.

A coordenadora bloquista Catarina Martins foi uma das dirigentes da esquerda europeia que interveio nesta cimeira e figura na lista de primeiros subscritores do apelo aprovado, a par de Jean Luc Mélenchon (Parti de Gauche, França), Miguel Úrban (Podemos, Espanha), Fabio De Masi (Die Linke, Alemanha), Stefano Fassina (Sinistra Italiana, antigo vice-ministro das Finanças de Itália), Jonas Sjöstedt (líder do Vänsterpartiet, Suécia) e Pernille Skipper (porta-voz dos anfitriões do encontro, a Enhedslisten dinamarquesa).

Representantes de partidos e movimentos de 21 países europeus participaram nesta cimeira para aprofundarem a discussão sobre as alternativas à União Monetária, a crise da dívida e o dumping social no mercado único, e concluiu que as soluções para as crises que atravessam a Europa “não são possíveis no atual quadro da UE e dos seus tratados”.

Os presentes aprovaram também uma declaração conjunta em relação à situação na Turquia, onde o regime de Erdogan prendeu deputados e os co-líderes do partido HDP.  A declaração apela ao governo turco que proceda à sua libertação imediata e que respeite os direitos humanos e à União Europeia para que suspenda o acordo de refugiados com a Turquia e congele as negociações de adesão da Turquia à UE até que seja reposta a democracia no país.

Leia aqui a declaração final da Cimeira Internacionalista para um Plano B para a Europa:

Nós, abaixo-assinados, representantes eleitos, académicos, sindicalistas, movimentos sociais, partidos, comprometemo-nos em erguer um Plano B para a Europa enquanto força de oposição e alternativa às instituições europeias. Recusamos uma Europa de austeridade permanente, ataques aos direitos sociais e laborais e desvalorização do trabalho. Lamentamos a perda de estabilidade financeira no nosso continente. Contestamos o desvio do público para o privado que transfere recursos e dinheiros públicos para o serviço da dívida detida pelos bancos.

O desenrolar da experiência de esquerda na Grécia em 2015 mostrou a necessidade de uma plataforma que enfrente a chantagem e a tentativa de impor políticas neoliberais através da União Económica e Monetária (UEM). É necessária com urgência uma alternativa, no momento em que a UEM está pronta a tornar-se ainda mais perigosa nos próximos anos.

Ao impor a austeridade, a oligarquia política e financeira criou insegurança e desconfiança por toda a Europa, e com isso abriu caminho à ascensão ao nacionalismo de extrema-direita, que procura criar o ódio e a desunião entre os povos da Europa.

O Plano B deve abrir caminho a uma cooperação inteiramente democrática e inclusiva na Europa e para além dela, entre povos e nações, que tenha por objetivo resolver as múltiplas crises de hoje, que vão bem para além das limitações sufocantes da União Europeia. Enquanto o eurocentrismo, o medo e a exploração das pessoas e da natureza prosseguirem como pilares da relação da Europa com o resto do mundo, as instituições europeias serão incapazes de abordar os desafios globais da atualidade.

Na Cimeira para um Plano B em Copenhaga, apresentámos soluções ambiciosas e credíveis para resolver os atuais desafios locais e globais. Essas soluções não são possíveis no atual quadro da UE e dos seus tratados reacionários. Temos de nos libertar desses tratados. Comprometemo-nos a lutar pela cooperação europeia de formas completamente diferentes, uma Europa de justiça social, solidariedade, sustentabilidade e democracia.

Desta forma, estamos empenhados em prosseguir e aprofundar a cooperação no quadro do Plano B, incluindo no apoio a uma iniciativa anual e no melhoramento da coordenação nesse âmbito. Perspetivamos uma aliança crescente que desenvolva alternativas à atual UE neoliberal numa colaboração entre partidos e movimentos sociais, e que sirva de lugar para o reforço de lutas comuns e aperfeiçoamento das nossas estratégias.

Após Copenhaga, que deu passos importantes nessa direção, incentivamos as força progressistas por toda a Europa a envolverem-se na próxima cimeira do Plano B, que terá lugar em Roma a 11 e 12 de março de 2017, como uma contra-cimeira ao 60º aniversário do Tratado de Roma. Com as eleições na França e na Alemanha e a ratificação do CETA – que pode acabar por ser rejeitado se apenas um parlamento nacional disser Não – 2017 será um ano importante para a Europa.

Primeiros signatários:

Pernille Skipper, deputada e porta-voz da Enhedslisten – Aliança Verde-Vermelha, Dinamarca

Jonas Sjöstedt, deputado e presidente do Vänsterpartiet – Partido da Esquerda, Suécia

Jean-Luc Mélenchon, eurodeputado e cofundador do Parti de Gauche, França

Miguel Urbán Crespo, eurodeputado do Podemos, Espanha

Stefano Fassina, deputado e antigo vice-ministro das Finanças, Sinistra Italiana, Itália

Fabio De Masi, eurodeputado do Die Linke, Alemanha

Catarina Martins, deputada e coordenadora do Bloco de Esquerda, Portugal

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