You are here

Cibercrimes viram denúncias duplicar no ano passado

O Gabinete de Cibercrime da Procuradoria-Geral da República deu conta de 1.160 denúncias em 2021. Mas muitas delas não reuniram condições para abertura de investigação.
Foto blogtrepreneur.com/tech

Uma nota informativa do Gabinete de Cibercrime da Procuradoria-Geral da República dá conta das denúncias recebidas em 2021, cujo número aumentou bastante face a anos anteriores: 1.160 denúncias, quando em 2020 tinham sido 544 e em 2019 apenas 193.

O relatório começa por reconhecer que “não é fácil avaliar, do ponto de vista estatístico, a real dimensão do cibercrime”, uma vez que o sistema de estatísticas existente não distingue o tipo de crimes que ocorrem online. Além do contacto com magistrados das diferentes comarcas, o Gabinete usa as denúncias recebidas no email [email protected] como um indicador deste fenómeno.

Apesar do número crescente de denúncias, não são muitas as que seguem para investigação, admite o Gabinete. Algumas dizem respeito a crimes meramente tentados, outras dependem da apresentação de queixa por parte do denunciante e outras são enviadas sob anonimato ou descrevendo factos vagos e genéricos. Das 1.160 denúncias recebidas no ano passado, 195 foram encaminhadas para inquérito e 25 para a Polícia Judiciária, por conterem “informação relevante para eventuais investigações pendentes ou para melhor identificação de procedimentos ou fenómenos criminosos”.

Entre os crimes mais frequentes estão o phishing dirigido a clientes bancários, em particular para obter dados de cartões de crédito, quer através de SMS quer no Whatsapp, mas também por email. Outras campanhas de phishing levam a vítima a pensar que será reembolsado de quantias pela Autoridade Tributária ou pela EDP, entre outras. O aumento das compras online fez crescer bastante outro tipo de phishing, em que a vítima recebe uma mensagem a cobrar uma pequena taxa relacionada com uma encomenda. “Em todas estas situações o propósito dos agentes do crime foi o de solicitar à vítima que introduzisse os dados do seu cartão de crédito (o nome do titular, o número do cartão, a respetiva data de validade e ainda o código de segurança) numa página falsa, por eles gerida”, refere o Gabinete de Cibercrime.

Também as burlas em compras online aumentaram durante a pandemia e são agora um dos mais frequentes tipos de cibercriminalidade, quer em páginas específicas quer no Facebook ou Instagram. A vítima encomenda e paga um artigo que nunca lhe será entregue e a página que o vendeu é encerrada pouco tempo depois. Embora estas burlas envolvam um montante relativamente baixo de algumas dezenas de euros, “pelo enorme número de vítimas que esta atuação atingiu, o seu significado económico é muito relevante”. E com o pagamento a ser feito com cartões de crédito, os burlões passam a poder usá-los abusivamente.

Além do phishing e das burlas com compras de produtos online, o Gabinete dá ainda conta de outros tipos de cibercrimes, como as burlas com criptoativos e outros produtos financeiros, em que as vítimas transferem dinheiro para supostos investimentos, as burlas com arrendamentos de imóveis, ou os ataques informáticos como o de ransonware. Outro crime em expansão no ano passado foi o das falsas chamadas da Microsoft, em que a vítima recebe um telefonema de um suposto suporte técnico do gigante informático a avisar que foi alvo de hackers e é levada a instalar software no seu computador para resolver o problema. O objetivo, como sempre, é conseguir acesso aos dados de cartão de crédito ou homebanking. As fraudes com MbWay tiveram grande expressão em 2020, mas a visibilidade do fenómeno nos media pode ajudar a explicar a redução expressiva das denúncias no segundo semestre de 2021.

A violação de privacidade com divulgação online de dados pessoais, a perseguição online (stalking), a chantagem para evitar divulgação de imagens íntimas (sextortion) foram outros crimes denunciados ao Gabinete. Com menor expressão, com apenas seis denúncias, estiveram os crimes de ódio online, sobretudo em textos publicados em redes sociais.

Termos relacionados Sociedade
(...)